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A Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 81,1% do PIB, equivalente a R$ 10,6 trilhões, atingindo o maior patamar em cinco anos. O resultado supera qualquer nível registrado desde maio de 2021, quando a dívida somava 81,4% do PIB.

A comentarista de economia Rita Mundim avaliou o cenário com preocupação, destacando que os números atuais remetem ao período mais crítico da pandemia. “Hoje a gente tem que falar de pandemia, porque a gente está lidando com números que só foram vistos no Brasil na época da pandemia, tanto em termos de endividamento, quanto em termos de geração mensal de emprego”, afirmou.

Além da dívida, Rita Mundim apontou que o mês de maio registrou o pior desempenho na geração de empregos desde 2020, auge da pandemia de Covid-19. No acumulado de janeiro a maio, a criação de postos de trabalho também foi a menor desde aquele ano.

Para a comentarista, esses dados estão diretamente ligados à desconfiança do mercado em relação ao modelo econômico adotado pelo governo. “O investidor estrangeiro para de colocar recursos na B3 e até retira esses recursos”, disse.

Rita Mundim associou a piora na precificação do mercado financeiro ao envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que, segundo ela, alterou as perspectivas dos investidores.

A comentarista alertou que, caso o modelo atual seja mantido, o país pode enfrentar uma crise semelhante à de 2015-2016, descrita por ela como “a pior crise econômica da história”. “Se esse modelo for mantido, o país quebra e nós teremos a reprise de uma crise que nós já vivenciamos em 2015-16”, declarou.

Governo amplia gastos e aumenta impostos

Rita Mundim criticou duramente a postura do governo diante do crescimento da dívida. Segundo ela, em vez de reverter as expectativas negativas, o governo optou por ampliar os gastos e elevar impostos.

“Esse governo já aumentou 27 impostos em quase quatro anos”, afirmou, classificando essa política como uma transferência de renda das famílias e das empresas para “um governo que gasta muito, gasta mal e não retribui sob a forma de serviços públicos de qualidade”.

A comentarista também destacou os números do serviço da dívida: segundo ela, o país pagou R$ 1 trilhão e 111 bilhões em juros nos últimos 12 meses, e o déficit nominal chegou a quase R$ 1 trilhão e 290 bilhões. “Isso é pandêmico. E cadê a pandemia? Onde está o dinheiro para salvar vidas? Onde está o dinheiro para salvar empresas?”, questionou.

Ano eleitoral paralisa investimentos

Em ano eleitoral, Rita Mundim se mostrou cética quanto à possibilidade de o governo adotar medidas de controle fiscal. Para ela, a incerteza sobre os rumos da economia tem levado empresários e investidores a suspender contratações e decisões de investimento.

“O governo não paralisa o gasto porque ele quer vencer uma eleição e não pensar no futuro de uma nação que vai sofrer muito”, afirmou. A comentarista concluiu que o excesso de gastos públicos está agravando o endividamento de famílias e empresas, com reflexos diretos na inadimplência e nos pedidos de recuperação judicial.



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