Aliados do senador e pré candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), torcem para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desista de concorrer a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
A avaliação interna é que a entrada de Michelle na disputa eleitoral poderia se tornar um fator de desagregação ainda maior. Há ainda o receio de que a ex-primeira-dama passe a usar a própria campanha para promover críticas ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em meio aos atritos públicos com Flávio, Michelle anunciou o seu desligamento do comando do PL Mulher. Na conversa com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, de acordo com relatos à CNN, ela teria indicado que não tem vontade de entrar na disputa.
Pessoas próximas a Flávio, sob reserva, disseram à CNN que Michelle deveria cumprir a palavra dada a Valdemar. A ex-primeira-dama pôs em risco o avanço do senador entre os eleitorados feminino e evangélico após divulgar, na semana passada, um vídeo dizendo que o enteado a “maltratou”, “desrespeitou” e “humilhou” em meio às divergências sobre o apoio do PL ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Por outro lado, aliadas da ex-primeira-dama pediram para que ela refletisse antes de uma decisão final, deixando a possibilidade aberta para participar da eleição. Na nota que divulgou sobre a saída do cargo, ela não tratou do seu futuro político.
Até hoje, a ex-primeira-dama jamais admitiu a vontade de concorrer pela primeira vez a um cargo público, embora também nunca tenha negado essa possibilidade. Quando questionada, a agora ex-presidente do PL Mulher sempre diz que seu destino político está entregue a Deus e será definido junto com o marido, no tempo certo.
Como mostrou a CNN, Valdemar extinguiu nesta quarta-feira (1º) o comando nacional do PL Mulher, um dia após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixar o cargo alegando que vai se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
À CNN, o dirigente da sigla afirmou que decidiu acabar com o posto porque não há nomes dentro do partido para substituir Michelle. A estratégia do partido é priorizar os diretórios femininos nos estados.
“Já extingui hoje [comando do PL Mulher]. Não temos ninguém com o tamanho de Michelle para substituí-la”, justificou Valdemar à CNN.