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O Santander passou a integrar o grupo de instituições financeiras que revisaram seu cenário para a economia brasileira e passaram a enxergar um crescimento mais fraco em 2027.

A avaliação reforça uma tendência que começa a aparecer nas projeções do mercado: depois de um 2026 ainda resiliente, impulsionado pelo mercado de trabalho, pelo crédito e pelos estímulos fiscais, a atividade deve perder força no próximo ano.

O banco projeta crescimento de 1,8% do PIB em 2026 e de 1,3% em 2027, segundo o economista-chefe Marco Caruso.

Apesar de ter reduzido sua projeção para a inflação, o Santander acredita que o Banco Central continuará cauteloso. A instituição espera mais dois cortes na Selic, levando a taxa básica para 13,75%, seguidos por um longo período de estabilidade ao longo de 2027.

Na avaliação do banco, novos cortes só devem ocorrer no segundo semestre do próximo ano, encerrando 2027 com juros de 12,75%.

Para Caruso, a pausa prolongada decorre, sobretudo, das incertezas em torno da política fiscal do próximo governo.

“Para o Banco Central voltar a cortar juros, ele vai precisar ver uma economia efetivamente mais fraca. Será a regra de São Tomé: terá que ver para crer”, afirma.

Na avaliação do economista, a autoridade monetária perdeu parte da capacidade de promover um “pouso suave” da economia justamente porque a incerteza fiscal reduz sua margem de atuação.

“O Banco Central está perdendo grau de liberdade para fazer um pouso suave da economia por causa do fiscal”, resume.

O cenário do Santander considera apenas um ajuste moderado das contas públicas. Caso o próximo governo promova uma consolidação fiscal mais intensa, a desaceleração da economia poderá ocorrer mais rapidamente, como costuma acontecer em episódios de aperto fiscal.

Inflação melhora com queda do petróleo

O banco também revisou para baixo sua projeção para a inflação deste ano.

A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,2% para 5%, principalmente porque a queda do preço do petróleo ocorreu mais rapidamente do que o esperado.

Segundo Caruso, embora a transmissão desse movimento para os preços domésticos tenha demorado mais do que se imaginava, o alívio acabou permitindo uma revisão para baixo da inflação.

O cenário do Santander considera o petróleo Brent estabilizado ao redor de US$ 80 por barril. Para 2027, a projeção é de inflação de 3%, em linha com a meta perseguida pelo Banco Central.

Novo Fed entra no radar

No cenário internacional, uma das principais preocupações do Santander é a futura condução do Federal Reserve.

Segundo Caruso, uma das maiores dúvidas diz respeito ao mandato de Kevin Warsh à frente do banco central americano. Segundo o economista, a comunicação menos transparente por parte do Fed defendida por Warsh pode aumentar a volatilidade dos mercados financeiros globais.



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