Integrantes do governo brasileiro avaliam que, mesmo após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, negociadores brasileiros encontram dificuldades de interlocução técnica com os norte-americanos em razão do shutdown que paralisa parte da máquina pública dos Estados Unidos.

O impasse começou em 1º de outubro, quando o Congresso americano não aprovou o orçamento federal para o novo ano fiscal. Desde então, centenas de milhares de servidores foram colocados em licença sem remuneração (furlough), enquanto outros seguem trabalhando sem pagamento. Diversas agências e departamentos estão operando com equipes reduzidas ou suspenderam atividades não essenciais.

Segundo fontes que acompanham as negociações, a paralisação tem dificultado o avanço de temas considerados prioritários pelo Brasil nas conversas com Washington, como a revisão de tarifas e a ampliação do acesso de produtos nacionais ao mercado americano.

Na prática, representantes brasileiros relatam que, ao tentar contato com técnicos e autoridades dos Estados Unidos, recebem respostas automáticas informando que o funcionário “não está mais trabalhando para o governo” ou que “as atividades estão temporariamente suspensas”.

Apesar das dificuldades, as discussões seguem em curso. O café deve ser o primeiro insumo da lista a ter tarifas revistas dentro do tarifaço que implementou tarifas de 40% a mais sobre produtos brasileiros.

No entanto, não há previsão para o fim do shutdown. Analistas em Washington estimam que as negociações políticas entre republicanos e democratas podem se estender até o fim de novembro, o que mantém o cenário de indefinição e compromete o ritmo das tratativas bilaterais.

Como noticiou a CNN Brasil, o governo pretende enviar uma comitiva a Washington na próxima semana para tentar destravar as negociações com os Estados Unidos.

A missão deverá ser chefiada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e terá como objetivo avançar em medidas de redução tarifária e cooperação comercial.

A viagem ainda não foi oficialmente confirmada pelo governo, mas é tratada internamente como prioridade estratégica diante do impasse político em Washington.

A jornalista viajou a convite da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).



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