O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a taxa básica de juros em 15%, adotando uma postura considerada conservadora pelo mercado financeiro. A decisão reflete a vigilância contínua do BC (Banco Central) em relação à inflação e sua meta de trazê-la para o centro do objetivo estabelecido.
A manutenção da taxa elevada está relacionada a diversos fatores de preocupação, afirma Rita Mundim, comentarista de Economia da CNN Brasil. Entre eles, destacam-se o mercado de trabalho aquecido, o crescimento do país acima de sua capacidade e questões relacionadas à política fiscal.
“O Banco Central mais uma vez colocou o dedo na ferida, foi muito transparente e diante da preocupação dele de trazer a inflação para o centro da meta, ele está sendo, sim, conservador”, destaca.
O comunicado do Copom manteve ainda a possibilidade de elevação dos juros, caso necessário, relembra Mundim.
Apesar da decisão conservadora, o Ibovespa reagiu positivamente e chegou a superar 154 mil pontos, impulsionado principalmente pela valorização das commodities.
O dólar, por sua vez, registrou queda frente ao real, refletindo a atratividade da taxa de juros brasileira, analisa a comentarista.
“Estamos com a maior taxa real para o Brasil neste século e uma das maiores do mundo, só perdendo para a Turquia. Diante da expectativa de manutenção de juros em um patamar mais alto, temos essa atratividade para nossa renda fixa”, diz.
As expectativas do mercado para o primeiro corte na taxa Selic foram postergadas para março. Esta mudança ocorreu apesar da queda nas projeções de inflação por seis semanas consecutivas, de 4,8% para 4,5%.
O Banco Central mantém seu foco no centro da meta de inflação, demonstrando que a atual desaceleração inflacionária ainda está distante do objetivo de 3%, ressalta Mundim.
Um dos principais desafios identificados, segundo a comentarista, é o descompasso entre as políticas monetária e fiscal.