A Justiça do Rio de Janeiro mandou soltar Gabriela Cristina Elias de Jesus, de 25 anos, moradora do Complexo da Penha, que foi presa após realizar uma transmissão em suas redes sociais durante a megaoperação “Contenção”, no último dia 28.
A CNN teve acesso à ata da audiência de custódia. Segundo o documento assinado pelo juiz Dr. Danilo Nunes Cronemberger Miranda, não há confirmação de que a jovem tenha envolvimento direto com o tráfico de drogas.
De acordo com o boletim de ocorrência, durante uma troca de tiros com traficantes, agentes precisaram empurrar um portão de uma casa para se proteger dos disparos. Neste momento, Gabriela teria discutido com um dos policiais alegando que eles estavam “invadindo a casa dos moradores”.
Mesmo após explicar a situação, a mulher começou a realizar uma “live” e isso teria colocado em “risco” a operação e contribuído para que o grupo criminoso atirasse com “mais precisão” contra a equipe. Após o ocorrido, foi decretado a prisão em flagrante da jovem, em razão da prática do delito de associação ao tráfico de drogas.
Policiais também informaram que no momento da prisão, Gabriela teria tentado “pegar o fuzil” de um dos agentes. Além disso, outros moradores que estavam no local teriam trocado os celulares entre eles para confundir os policiais.
Durante a audiência de custódia, a jovem alegou que, na verdade, os policiais teriam a empurrado no chão, usado spray de pimenta e dado “cotoveladas” nas costas e na cabeça dela.
O juiz alegou, então, que apesar da prisão ser formalmente legal, não há provas que Gabriela tenha vínculo com o tráfico e que a atitude dela pode ter ocorrido de forma “impulsiva”, não necessariamente sendo uma colaboração criminosa. Por isso, ele negou o pedido de prisão preventiva e concedeu liberdade provisória à jovem.
“Entretanto, a análise detida dos elementos colhidos até o momento evidencia a ausência de indicativos objetivos de que a custodiada integre facção criminosa ou tenha vínculos estáveis com o tráfico de entorpecentes. Ressalte-se que não foram apreendidos em seu poder rádios comunicadores, entorpecentes, armas de fogo ou outros instrumentos comumente associados à atuação típica de integrantes de organização criminosa”.
Apesar de ficar livre, Gabriela deve cumprir algumas medidas cautelares, sendo elas: comparecer mensamente ao juízo e não sair da comarco por mais de 8 dias sem autorização. Todas as restrições valem por 2 anos.
A justiça ainda deve investigar as denúncias de agressão da moradora contra os policiais e apurar se de fato houve um crime de associação para o tráfico.
*Sob supervisão de Pedro Osorio