Autoridades do governo Trump se reuniram nesta quarta-feira (12) com uma importante congressista republicana para discutir uma iniciativa na Câmara dos EUA que visa forçar uma votação sobre a divulgação de arquivos do Departamento de Justiça relacionados a Jeffrey Epstein, de acordo com diversas fontes.

Questionada, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou o encontro, perguntando em coletiva de imprensa: “Isso não demonstra o nível de transparência que temos quando estamos dispostos a nos sentar com membros do Congresso e abordar suas preocupações?”.

Leavitt acrescentou: “Não vou detalhar as conversas que ocorreram na Sala de Situação”.

Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou que a reunião na Sala de Situação contou com a presença de Lauren Boebert, deputada republicana do Colorado que defende a divulgação do acervo de arquivos de Epstein pelo Departamento de Justiça e aderiu à iniciativa para forçar a votação que obriga a sua divulgação.

Mas, após a reunião na Casa Branca, não é esperado que ela retire seu nome da petição, segundo outra fonte. A CNN entrou em contato com Boebert para obter um comentário e aguarda retorno.

Em outra frente, o presidente Donald Trump e a deputada Nancy Mace, outra republicana que assinou a petição, têm tentado se comunicar por telefone.

Ela havia dito anteriormente a Manu Raju, da CNN, que os rumores de que ela planejava retirar seu nome da petição eram falsos.

Tanto o encontro quanto os esforços de Trump para conversar com Mace ressaltam as preocupações do governo em relação ao caso Epstein, que voltou à tona na manhã desta quarta, quando o Comitê de Supervisão da Câmara divulgou mais documentos obtidos do espólio de Epstein, ex-magnata e criminoso sexual.

Os arquivos do Departamento de Justiça, que abrangem anos de investigação sobre uma rede de tráfico sexual infantil, podem incluir detalhes que a Câmara ainda não obteve.

A controvérsia em torno de Epstein e seus contatos com outras pessoas poderosas, incluindo Donald Trump, dividiu o Partido Republicano nos últimos meses.

De toda forma, Trump não foi acusado de nenhum crime, e Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein e condenada por tráfico sexual de menores, disse anteriormente ao procurador-geral-adjunto Todd Blanche que não havia visto nenhuma irregularidade, inclusive por parte de Trump.

Caso Epstein no Congresso dos EUA

No Capitólio, três republicanos da Câmara dos Representantes – Lauren Boebert, Marjorie Taylor Greene e Nancy Mace – aderiram a uma iniciativa dos deputados Thomas Massie, republicano do Kentucky, e Ro Khanna, democrata da Califórnia, para forçar uma votação no plenário da Câmara sobre a divulgação dos documentos.

Eles conseguiram a 218ª assinatura necessária ainda nesta quarta-feira (12), permitindo que a iniciativa para forçar a votação avance. Porém, caso algum parlamentar retire seu nome da petição, não será possível seguir com a iniciativa.

Se 218 parlamentares – a maioria dos 435 – assinarem uma petição, eles podem forçar uma votação em plenário sobre qualquer assunto, mesmo que a liderança se oponha. Mas esforços do tipo raramente são bem-sucedidos.

Casa Branca diz que novos arquivos “não provam nada”

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta que os e-mails de Epstein divulgados e que mencionam Trump “não provam absolutamente nada”.

Ela também defendeu os esforços do governo para bloquear as tentativas da Câmara de obrigar a divulgação dos arquivos de Epstein, argumentando que o governo está comprometido com a transparência.

“Estamos cooperando e demonstrando apoio ao Comitê de Supervisão da Câmara. Esse é um dos motivos pelos quais vocês estão vendo esses documentos que foram divulgados hoje, devido aos esforços do Comitê de Supervisão da Câmara e dos republicanos para torná-los públicos”, disse ela.



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