Relatórios obtidos através de levantamento feito pela CGN revelam que seis conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) receberam, juntos, mais de R$ 160 mil em diárias, até o momento em 2025. Os valores referem-se a viagens feitas para participação em eventos de capacitação e missões oficiais, tanto em território nacional quanto internacional. Os dados apresentados são de 01 de janeiro de 2025 até 21 de outubro de 2025.
Ivan Bonilha: viagens para Europa e gastos acima de R$ 100 mil
O conselheiro Ivan Bonilha foi o que mais recebeu diárias no período, totalizando R$ 103.906,06. As viagens incluem destinos internacionais como Genebra (Suíça) e Lisboa (Portugal), além de diversas cidades brasileiras como Brasília, Manaus, Rio de Janeiro e Florianópolis.
A maioria dos registros é classificada como “colaboração em missão oficial”, sem qualquer informação sobre agenda, reuniões ou resultados alcançados. Também aparecem participações em “eventos de desenvolvimento profissional” sem especificar temas ou instituições envolvidas.
José Durval Amaral: missões e eventos somam R$ 13 mil
O conselheiro José Durval Mattos do Amaral recebeu R$ 13.736,80 em diárias. Entre as viagens estão deslocamentos para Macapá, São Paulo e Londrina.
Em dois momentos, esteve em Londrina em “procedimentos sem pagamento de diárias”, o que causa ainda mais dúvida sobre o critério de remuneração. Já nas viagens remuneradas, novamente as justificativas são vagas e repetitivas.
Maurício Requião: Boa Vista e São Paulo por mais de R$ 13 mil
O conselheiro Maurício Requião de Mello e Silva somou R$ 13.153,02 em diárias, divididas entre duas viagens para São Paulo e uma para Boa Vista (RR). As três agendas aparecem como “participação em evento de desenvolvimento profissional” e “colaboração em missão oficial”, sem mais informações.
Augustinho Zucchi: cidades do interior
Com R$ 12.228,31 pagos em diárias, o conselheiro Augustinho Zucchi esteve em cidades como Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Londrina e Pato Branco.
Chama atenção o fato de uma das viagens ter sido registrada com valor zerado, sem explicação aparente. Todas as demais viagens são justificadas como “missão oficial” ou “evento de desenvolvimento”, sem detalhes sobre os compromissos.
Fernando Guimarães: R$ 11 mil com viagens ao Norte e Nordeste
O conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães acumulou R$ 11.758,17 em diárias. Ele esteve em Manaus (AM) e Salvador (BA), com justificativas padrão do TCE: missão oficial e evento profissional. Como nos outros casos, os documentos não informam o conteúdo ou objetivo das viagens.
Fábio Camargo: cinco cidades e uma devolução de diária
Fábio de Souza Camargo recebeu R$ 7.687,26, com viagens para São Paulo, Brasília, Manaus, Rio de Janeiro e Boa Vista. Curiosamente, ele devolveu R$ 3.843,63 de uma viagem a Manaus, valor depois novamente registrado como pago.
As justificativas, mais uma vez, seguem a linha das demais: vagas, repetitivas e pouco informativas.
Tabela de valores, destinos e justificativas
| Conselheiro | Valor Total Recebido | Principais Destinos | Observações |
|---|---|---|---|
| Ivan Bonilha | R$ 103.906,06 | Genebra, Lisboa, Brasília, São Paulo | Viagens internacionais com alto custo; justificativas vagas |
| José Durval Mattos do Amaral | R$ 13.736,80 | Macapá, São Paulo, Londrina | Algumas viagens sem pagamento; motivos genéricos |
| Maurício Requião de Mello e Silva | R$ 13.153,02 | Boa Vista, São Paulo | Sem detalhamento sobre eventos ou missões |
| Augustinho Zucchi | R$ 12.228,31 | Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Londrina | Viagem com valor zerado e sem explicação |
| Fernando Augusto Mello Guimarães | R$ 11.758,17 | Salvador, Manaus | Apenas duas viagens; motivos amplos e repetitivos |
| Fábio de Souza Camargo | R$ 7.687,26 | Manaus, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro | Devolução e novo pagamento da mesma diária; justificativas vagas |
Falta transparência sobre o real motivo das viagens
Apesar de os relatórios de diárias estarem publicamente disponíveis e terem sido conferidos (hoje) 21 de outubro de 2025, o conteúdo dos documentos pouco ajuda o cidadão a compreender os motivos e os resultados das viagens.
O uso sistemático de descrições como “missão oficial” ou “evento de desenvolvimento profissional” dificulta a fiscalização pública e contrasta com a função do próprio TCE, que é exigir eficiência e transparência dos órgãos públicos que fiscaliza.