O governo do Paraguai afirmou nesta segunda-feira (17) que dá por “concluída” a crise com o Brasil após a revelação de espionagem pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) ao país.
A declaração acontece após o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, entregar um relatório confidencial sobre a espionagem ao chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, e prestar esclarecimentos sobre a ação da Abin em reunião na manhã desta segunda em Assunção.

Após o esclarecimento, ambos os chanceleres informaram que o Paraguai “dá o assunto por concluído” e que retomarão as negociações sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu na primeira quinzena de dezembro de 2025.
“Ao lamentar o impacto desse episódio na relação bilateral, [o ministro Mauro Vieira] assegurou que o governo brasileiro está tomando todas as medidas para possibilitar a identificação dos envolvidos e sua responsabilização judicial”, diz o comunicado conjunto lido pelo chanceler paraguaio.
Após revelação, em março, de que a Abin tentou espionar o Paraguai para obter informações sobre as negociações das tarifas de Itaipu, o governo de Santiago Peña chamou seu embaixador em Brasília para consultas, iniciou investigação do caso e suspendeu os diálogos acerca do Anexo C, que estabelece as novas condições financeiras de comercialização de energia da hidrelétrica binacional.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma ter interrompido a operação de espionagem contra o Paraguai — ocorrida entre junho de 2022 e março de 2023 — assim que tomou conhecimento do assunto.