Mesmo após semanas tentando destravar a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não conseguiu vencer a resistência ao nome de Jorge Messias para a cadeira de Luís Roberto Barroso na Corte, segundo fontes ouvidas pela CNN e envolvidas nas negociações.

A expectativa, nos bastidores, é de que a aguardada conversa entre Lula e Pacheco seja decisiva. Mas, no entorno do presidente, alguns petistas já admitem reservadamente a dificuldade de emplacar Messias. E falam até mesmo na possibilidade de uma virada nas negociações, trazendo Pacheco de volta à bolsa de apostas para o STF.

A expectativa agora é de que um desfecho na escolha do novo ministro do Supremo não passe desta semana.

Pacheco tem como principal avalista Davi Alcolumbre (União-AP) e conta também o apoio de ministros do Supremo, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A resistência do presidente do Senado ao nome de Messias é apontada no entorno de Lula como principal fator a travar a indicação do AGU.

A percepção de que o Senado segue refratário ao favorito de Lula também aumentou nos bastidores do Supremo nos últimos dias. De acordo com um ministro da Corte ouvido sob reserva nesta segunda-feira, a sinalização que chega da Casa é que os acenos do Planalto até agora não foram suficientes para mudar o clima em relação à indicação.

Lula nunca escondeu a preferência para que Pacheco dispute o governo de Minas Gerais. Messias chegou a ter seu nome dado como certo no STF, mas o presidente segurou a indicação com a premissa de amarrar pontas soltas na relação com o Congresso.

Qualquer mudança de cenário na escolha do novo ministro do STF daria a Lula outro nó para desatar: sem a candidatura de Pacheco em Minas, será necessário buscar outra alternativa para montar um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do País.

Apesar da movimentação, líderes do PT seguem apostando no nome de Messias. No entorno do AGU, a tese é que Lula já deu sinalizações demais em favor do ministro. E que um recuo seria desgastante para o governo como um todo.

Para um aliado de Messias, qualquer mudança na indicação, a essa altura, também fortaleceria demais Alcolumbre, elevando ainda mais as pressões na relação entre governo e Congresso.



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