“A cracolândia acabou e não voltará.” Foi assim que o vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), definiu a situação atual da região no centro da capital, conhecida pelo grande fluxo de usuários de crack, durante entrevista ao CNN Arena nesta segunda-feira (17).
Ramuth reconheceu que ainda existem concentrações de usuários de drogas, mas afirmou que nada se compara ao cenário anterior, quando mais de 3.000 pessoas se aglomeravam na Rua dos Protestantes, na região da Santa Ifigênia.
Segundo ele, os grupos atuais, de oito a dez pessoas, são “pequeníssimos” e estão sob monitoramento do governo estadual em parceria com a Prefeitura.
“Temos pequenas concentrações ainda na Barra Funda, na Ceagesp e na [avenida] Roberto Marinho, mas muito diferentes daquilo que configurava uma cracolândia, que era um comércio ao ar livre e de consumo, o melhor lugar do Brasil para se esconder, seja da polícia ou da família”, afirmou.
Ramuth diz que o governo comemora o fim daquela grande concentração que perdurou por 30 anos e onde, segundo ele, “o Estado não tinha presença”. Ele credita a mudança às ações iniciadas em 2023, na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que resultaram na prisão de mais de 1.500 traficantes e em mais de 20 mil internações de dependentes.
“O que existia ali era um espaço em que o Estado não se fazia presente, saúde, assistência social e segurança pública estavam ausentes”, disse. “Houve uma metodologia e uma separação entre traficantes e usuários.”
Ao todo, foram realizadas mais de 40 operações de resgate. As equipes identificaram um rodízio de frequentadores: parte aceitava atendimento e internação, enquanto outro grupo permanecia circulando. Com isso, o governo mapeou perfis diferentes entre os usuários que permaneciam na região durante o dia e os que apareciam à noite.
Segundo Ramuth, as operações contribuíram para uma queda de 63% nos roubos no entorno da Rua dos Protestantes. Ainda assim, ele alertou para um problema mais amplo enfrentado pela cidade: a legislação brasileira.
“Eu não conheço nenhum receptador que tenha ficado mais de cinco dias na cadeia. Temos receptadores que já foram presos mais de dez vezes”, disse. “Enquanto não formos mais duros com os receptadores, vamos continuar correndo esse risco, independentemente da classe social.”