Anúncio
Relatório da CPI identifica falhas sistêmicas e faz recomendações à prefeitura

A CPI instaurada em 26 de junho deste ano para investigar a condução do processo disciplinar contra o servidor que abusou sexualmente de crianças em um CMEI foi concluída nesta quarta-feira (19), com a leitura e aprovação unânime do relatório final. A comissão foi formada pelos vereadores Everton Guimarães/PMB (presidente), Hudson Moreschi/PODE (relator), Contador Mazutti/PL (secretário), e pelos membros Antonio Marcos/PSD e Valdecir Alcantara/PP.

Ao todo, foram ouvidas 43 testemunhas, analisadas 1.281 páginas do processo e produzidas 123 páginas de relatório final. O documento será encaminhado ao prefeito municipal, à Controladoria-Geral e à Procuradoria Jurídica, recomendando que adotem medidas administrativas e disciplinares cabíveis, incluindo revisão de processos irregulares e responsabilização de servidores omissos ou negligentes.

O vereador Hudson Moreschi começou por detalhar as oitivas de mães e como estas evidenciaram a existência de falhas sistêmicas na rede de proteção à criança e ao adolescente. “Os depoimentos de Pollyanna Caxias Souza Ramos e Fabiana Mariano confirmam de forma inequívoca que o Agente de Apoio permaneceu em contato direto e regular com crianças no CMEI Vicentina Guisso, nos anos de 2022, 2023 e 2024, realizando atividades como troca de fraldas, recepção na porta e acompanhamento dentro da sala de aula”, relatou Hudson.

Em seguida, os depoimentos de 22 profissionais que atuaram nos CMEIs permitiram à CPI concluir, ainda que preliminarmente, a existência de falhas sistêmicas na rede de proteção à criança e ao adolescente, evidenciadas pela ausência de fluxos e protocolos claros para o tratamento de suspeitas de violação de direitos.

“Os depoimentos pintam um quadro de profundo desamparo. As mães passaram por fases de descrença inicial, medo de não serem levadas a sério e falta absoluta de informação sobre os canais de denúncia gratuitos (Conselho Tutelar, NUCRIA, Delegacias Especializadas)”, aponta o relatório.

Houve indícios e relatos de suspeita de violência sexual e física contra crianças em pelo menos dois CMEIs (Irmã Iolanda Guzman Bazan e Vicentina Guisso), envolvendo o mesmo agente de apoio, posteriormente condenado criminalmente; as direções dos CMEIs e a gestão da SEMED falharam no acolhimento das queixas, na notificação compulsória aos órgãos competentes e na adoção de medidas preventivas; o agente manteve contato direto com crianças mesmo após denúncias formais e sob investigação, contradizendo versões oficiais de afastamento preventivo; as famílias foram deixadas sem informação, suporte ou orientação, o que aprofundou o desamparo e a revitimização e profissionais de saúde e educação não atuaram de forma integrada, medicalizando sintomas e ignorando sinais de possíveis abusos.

Responsabilidade

O relatório pede a abertura de PAD contra Cátia Simone Wermuth, presidente do primeiro processo administrativo contra o abusador. Os vereadores apontam a inobservância do dever de eficiência, pela paralisia injustificada do PAD, devendo ser avaliada se isso a torna incompatível com a permanência no serviço público.

Indicam ainda instauração de PAD contra Cletírio Ferreira Feistler, à época Controlador-Geral do Município, para apurar as suas possíveis faltas funcionais pela omissão reiterada na fiscalização e na adoção de medidas para garantir a celeridade e eficiência do PAD, pela designação temerária de pessoal sem a qualificação necessária e pela incapacidade de resolver problemas estruturais sob sua gestão, causando grave prejuízo ao serviço público, decorrente de gestão passiva e inoperante que resultou na paralisia de um processo de alta gravidade.

Em relação à secretária de Educação, Márcia Baldini, o relatório sugere que ela se aproprie dos fluxos relacionados à violação de direitos e os faça cumprir, que a SEMED implante protocolos escritos de comunicação, acompanhamento e fiscalização de servidores sob restrição funcional, em especial em casos que envolvam violação de direitos de crianças e adolescentes. Ainda que não encontre indícios suficientes de conduta omissiva, negligente ou ilícita por parte de Marcia na condução de casos que envolveram violência sexual contra crianças e pedofilia em CMEIs e escolas, a CPI recomenda a abertura de PAD para apurar eventual falha da gestão da SEMED, a qual cabia garantir que o agente não tivesse contato com crianças, bem como se houve falha na comunicação entre os servidores e escolas que deveriam ter conhecimento das restrições e do processo em curso contra o Agente de Apoio Bruno Garcia Leite.  A CPI também pede que seja investigada a conduta de Márcia Baldini em relação à possível obstrução de justiça, coação de testemunhas, tentativa de falsificação de documento e perseguição, alegações feitas por familiares e servidores.

O relatório pede ainda a abertura de PAD contra os seguintes servidores:

Maxsoel Schmidt, à época Assessor Técnico no Gabinete da SEMED,  por deixar de assegurar que as restrições impostas ao Agente de Apoio fossem formalizadas por escrito quando da transferência do servidor e por não notificar o Conselho Tutelar do abuso.

Patrícia Gonçalves da Silva, então Diretora do CMEI Irmã Iolanda Guzman Bazan, para apurar as suas possíveis faltas funcionais pela negligência e omissão reiteradas.

Rosane Aparecida Brandalise Correa, Diretora do Departamento Pedagógico – SEMED, para apuração de negligência no exercício do cargo e descumprimento do dever de fiscalização inerente a seu cargo de gestão.

Francisca Rojo de Carvalho, Diretora do Departamento Administrativo – SEMED, para apuração de negligência na gestão de pessoal e omissão no dever de assegurar o cumprimento de restrições funcionais impostas a servidor sob sua esfera de competência.

Recomendações à prefeitura

O presidente da CPI, Everton Guimarães, explica que é necessária uma ampla estruturação funcional da Corregedoria com a contração de servidores em número capaz para atender satisfatoriamente as demandas do setor.

“Recomendamos a elaboração e o encaminhamento de projeto de lei que institua o Sistema Municipal de Enfrentamento à Violação de Direitos de Crianças e Adolescentes, conforme sugerimos no relatório”, explica.

Além disso, a comissão recomenda:

1.      Implementação urgente de protocolos unificados e obrigatórios para atendimento de casos de violação de direitos.

2.      Capacitação continuada de profissionais da educação e saúde para identificar sinais de abuso e realizar notificações.

3.      Criação de Comitê Intersetorial de Enfrentamento à Violência.

4.      Criação de canal de denúncia anônimo e centralizado.

5.      Afastamento preventivo imediato de profissionais suspeitos, além de protocolos formais, sistema de acompanhamento de PADs, sindicâncias e auditorias periódicas.

Ministério Público

A CPI enviará ao Ministério Público do Paraná cópia integral do conjunto probatório para que a Promotoria competente avalie a materialidade e autoria de eventuais ilícitos penais e adote as medidas legais cabíveis, inclusive instauração de inquérito policial ou outras ações, priorizando a proteção integral das crianças envolvidas.



Fonte:

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Colisão na PR-471 deixa três pessoas feridas em Catanduvas

Holanda quebra recorde do Brasil em Copas do Mundo

George Santoro cobra mais transparência do Banco Central sobre juros

Paraná se consolida como referência em modernização rodoviária com modelagem digital

Suspeitos de execução em Maringá são presos em operação policial com investigação de ligação com facção criminosa

SUV S5 elétrico será feito pela inglesa MG no Ceará ao lado do MG4 Urban | Blogs | CNN Brasil

Explosivos apreendidos em Itaipulândia podem ter ligação com mega-assalto no Paraguai

Cacique Raoni tem obstrução intestinal e segue na UTI em estado grave

Comissão aprova regras para aumentar proteção de motoristas de aplicativo

Raphinha está sem dores e não deve ser cortado da Seleção Brasileira