Durante a abertura do Dia do Gênero na COP30, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que ainda há entraves nas negociações, mas demonstrou confiança de que o Plano de Ação de Gênero será aprovado pelos negociadores do clima.
O documento, segundo ela, é fundamental para fortalecer políticas voltadas às mulheres, especialmente às afrodescendentes, nas ações climáticas globais.
No palco da programação “Mulheres: vozes que guiam o futuro”, realizada na Blue Zone, Janja destacou que esta edição da conferência tem sido “intensa para todas” e marcou a relevância do Dia das Mulheres na COP.
Ela explicou que o plano de ação de gênero está “na mesa de negociação” e que a delegação brasileira acompanha de perto a fase de alto nível.
“A gente ainda tem alguns entraves, mas eu tenho certeza que o Plano de Ação de Gênero — que será importante para as mulheres das águas — será aprovado com todas as considerações feitas, principalmente pelo Brasil, com a inclusão de mulheres e meninas afrodescendentes”, afirmou.
Janja ressaltou que a participação das mulheres afrodescendentes no documento representa um avanço simbólico e político para o Brasil, garantindo reconhecimento e proteção a grupos historicamente invisibilizados nas políticas climáticas.
Próxima COP ainda indefinida
A primeira-dama também comentou a indefinição sobre o país-sede da COP31. Segundo ela, o cenário envolve disputa entre Austrália e Turquia – e ainda a possibilidade de Alemanha receber o evento.
“Está difícil do povo resolver se vai ser na Austrália ou na Turquia. E se for na Alemanha, o Brasil segue na presidência da COP”, disse, destacando que isso manteria sua função como enviada especial para as mulheres.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também participou da abertura e reforçou que fortalecer o protagonismo das mulheres é essencial para políticas climáticas eficazes e inclusivas.
Protocolos e iniciativas do Ministério das Mulheres
A delegação do Ministério das Mulheres apresentou uma série de iniciativas que serão levadas à COP30, entre elas:
- Criação de um protocolo internacional para fortalecimento de mulheres e meninas em emergências climáticas e desastres, desenvolvido com organismos internacionais no âmbito do Plano de Aceleração de Soluções (PAS);
- Estratégia Transversal Mulheres e Clima, que insere a perspectiva de gênero no Plano Clima 2025–2035;
- Cartilha “Mulheres nas Ações Climáticas”;
- Apresentação da minuta de decreto da Política Nacional para as Mulheres Indígenas, em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas.
Gender Day: marco internacional
Criado em 2012 no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Gender Day, ou Dia do Gênero, consolidou-se como marco político global para integrar a perspectiva de gênero às negociações climáticas.
Na COP30, realizada em território brasileiro, o dia reforça o compromisso internacional com a igualdade de gênero e a construção de políticas inclusivas para adaptação, mitigação e governança climática.