O empresário Paulo Figueiredo, que atuou nos Estados Unidos ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sanções ao Brasil, minimizou a decisão do presidente americano Donald Trump de recuar do tarifaço de 40% imposto a produtos brasileiros.
À CNN Brasil, Figueiredo disse que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta capitalizar sobre a medida, que teria sido adotada devido às pressões inflacionárias internas nos Estados Unidos, e não necessariamente por avanços nas negociações com o Brasil.
“Ele (Lula) se deu um crédito, precisava disso para não dizer a realidade, que tirou por causa da inflação. Logo, ele precisava dizer que (Trump) tirou (a tarifa) por uma vitória dele nas negociações. É um texto de bom termo para ele, para seu público, fica parecendo que ele foi atendido e por isso reduziu. Normal da política”, disse.
Nas redes sociais, Figueiredo afirmou que “Trump simplesmente retirou as tarifas de alguns produtos brasileiros (como já tinha feito anteriormente) em busca da redução de preços domésticos em alguns setores onde os EUA não são competitivos.”
“A Tarifa-Moraes segue normalmente em 50%. Aviso aos colegas que, se for para jogar confete na diplomacia de Mauro Vieira, por coerência terão que fazer o mesmo com os MRE de pelo menos uma dúzia de outros países que foram beneficiados pela mesma medida, até antes do Brasil”, escreveu.
Como mostrou a CNN Brasil, o governo Lula contabilizou o recuo parcial dos Estados Unidos no tarifaço aplicado aos produtores brasileiros como resultado das negociações estabelecidas entre o petista e Donald Trump.
À CNN Brasil, fontes do Itamaraty que acompanham as tratativas com o governo americano classificaram a medida anunciada nesta quinta-feira (20) como um “gesto inicial positivo” desde a retomada do diálogo entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.
Em nota, o Itamaraty celebrou a retirada das tarifas a alguns produtos e disse que “o Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”.