O setor de móveis brasileiro celebrou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de zerar a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas como um avanço, porém reforçou que o ato não beneficia o setor.

Segundo nota da Abimóvel (Associação brasileira das indústrias do mobiliário), divulgada nesta sexta-feira (21), o anúncio de Trump na véspera representa um “avanço importante nas negociações bilaterais e reforça o ambiente de diálogo técnico entre os dois países.”

Para a indústria de móveis e demais bens manufaturados, porém, o quadro permanece essencialmente inalterado.

“Do ponto de vista da indústria moveleira, a decisão é interpretada, portanto, como um sinal importante de que o diálogo funciona, mas ainda insuficiente para recompor o ambiente de previsibilidade e equilíbrio concorrencial de que o setor e a indústria brasileira necessitam.”, disse a associação.

A expectativa do setor é que a mesma lógica aplicada aos alimentos seja estendida aos bens industriais, com a “construção de um cronograma claro para a remoção das sobretaxas sobre móveis, madeira e demais produtos industriais brasileiros.”

A medida beneficia principalmente o agronegócio brasileiro, sobre itens como carne, café, frutas, cacau e alguns fertilizantes, e ocorre após redução da tarifa adicional de 10% na semana passada.

Móveis, madeira processada, calçados, alumínio e outros insumos industriais continuam sujeitos às sobretaxas e às medidas já em vigor. Isso “mantém elevado o custo de acesso ao mercado norte-americano e reduz a competitividade do produto brasileiro em relação a concorrentes de outros países.”, explica a Abimóvel.

A Abimóvel reforça que o setor moveleiro segue enfrentando revisão de pedidos, renegociação de contratos e a busca pelo redirecionamento de exportações para outros destinos.

Segundo Welber Barral, que coordena a defesa da Abimóvel nas negociações em Washington, nos EUA, o alívio tarifário anunciado está concentrado em commodities agrícolas e não alcança a maior parte dos bens industriais, até mesmo como o café solúvel, entre outros itens.

Barral também alerta para a continuidade da investigação da Seção 301, que “pode servir de base para novas medidas restritivas caso não haja uma solução negociada.”

“Nesse contexto, a agenda prioritária para o Brasil segue sendo a retirada das sobretaxas sobre produtos manufaturados, entre eles o mobiliário e sua cadeia de suprimentos.”

Em nota, o Itamaraty disse que “o Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, reforçando a importância do setor industrial.

A Abimóvel reforçou que atua em cooperação com autoridades brasileiras e americanas, fornecendo informações técnicas sobre o setor de móveis.

“O objetivo é demonstrar que a manutenção das tarifas sobre móveis e insumos do segmento não contribui para a segurança econômica dos Estados Unidos e, ao contrário, encarece produtos para o consumidor final americano.”



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