A sexta-feira foi longa em Washington, com aquele tipo de adrenalina que nós, brasileiros, conhecemos tão bem, mas que costumava passar longe do Salão Oval.

O roteiro parecia até saído diretamente do Planalto Central, com uma sessão quente do Supremo e reação imediata do Palácio do Planalto.

Insegurança jurídica, queda de braço entre poderes e até um “jeitinho” para manter o plano original de pé: tudo isso aconteceu, mas não foi em Brasília.

Com Donald Trump, os Estados Unidos nunca pareceram tanto o Brasil.

A economia americana, que preza tanto e se impôs ao mundo pela previsibilidade, começou o dia com uma guinada de 180 graus.

A Suprema Corte decidiu, por 6 a 3, que o “tarifaço” de Trump era ilegal. A base jurídica usada pelo presidente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência de 1977 — não dá carta branca para tributar o mundo por decreto, decidiram os juízes.

Era só o primeiro ato do dia.

Horas depois, Trump dobrou a aposta e trocou a ferramenta. Ao anunciar uma nova tarifa global de 10%, agora baseada na Lei de Comércio de 1974, o republicano mostrou que a incerteza será o novo “normal” da economia global.

A comparação é inevitável. Vivemos em um cenário onde a regra do jogo muda no meio da partida. Infelizmente, parece o Brasil.

Centenas de empresas já preparam uma enxurrada de ações para reaver os bilhões de dólares pagos em impostos agora declarados ilegais. É o nosso conhecido “repetição de indébito” em escala industrial e Made in USA.

A nova medida de 10% tem validade de apenas 150 dias. É um prazo curto, uma solução provisória que joga o problema para a frente, à espera de, quem sabe, um improvável aval do Congresso.

Trump atacou a Corte, chamou a decisão de “vergonhosa” e prometeu novas medidas. O clima de “nós contra eles” entre o Executivo e o Judiciário é um roteiro que o investidor já lia em português e em espanhol. Agora, cada vez mais também em inglês.

A economia norte-americana, antes um porto seguro de regras claras, agora navega em águas turvas com pitadas de liminares e decretos temporários. Nunca os EUA foram tão parecidos com o Brasil. Azar deles, e nosso também.



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