O BC (Banco Central) não encontrou até agora sinais de que o ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, tenha errado no caso do Banco Master.
A avaliação é que a sindicância, aberta na semana passada para apurar eventuais problemas na atuação do órgão perante o Banco Master, possa investigar algo relacionado à gestão anterior — porém a percepção é de que Campos Neto atuou em conformidade.
Um documento enviado pelo Banco Master ao BC em novembro de 2024, ainda na gestão de Campos Neto, é considerado internamente uma das principais “provas” a favor dele.
Nele, o banco se compromete a cumprir uma série de medidas para melhorar a governança e a saúde financeira da instituição após receber uma espécie de ultimato do BC. Lembrando que Campos Neto deixou o comando da instituição financeira em 31 de dezembro de 2024.
A leitura é de que a estratégia dele com o Master foi dar uma última chance para que o banco se reestruturasse.
O governo e o PT, porém, têm ampliado a pressão sobre Campos Neto. Além das declarações sugerindo responsabilidade do ex-presidente do BC no caso — como a do ministro Fernando Haddad, que disse que a gestão anterior no BC deixou um “abacaxi” para Gabriel Galípolo —, o partido vai defender que ele deponha na CPI do INSS.
Um requerimento apresentado em novembro pelo deputado Rogério Correia diz que “cumpre esclarecer que as ações adotadas por Roberto Campos Neto, enquanto presidente do Banco Central do Brasil, especialmente no que se refere aos alertas emitidos sobre a realização, pelo Banco Master, de investimentos considerados insustentáveis, podem ter contribuído para a eclosão e a manutenção da denominada Farra do INSS”.
A estratégia se insere em uma tentativa de afastar o governo e o PT do caso após a revelação de relações de governistas com o banco. Por exemplo, o fato de o escritório do filho do agora ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega terem tido contratos milionários com a instituição.