O governador em exercício Darci Piana recebeu, nesta quarta-feira (18), a visita de três embaixadores. Estiveram no Palácio Iguaçu os representantes da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi; dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, e da Austrália, Sophie Davis. Os três encontros tiveram como objetivos o estreitamento das relações entre o Paraná e os países, principalmente comerciais, e a apresentação do atual cenário do Estado aos emissários internacionais.
“Sempre é importante falar com embaixadores, principalmente quando os países são nossos compradores ou participam de acordos comerciais. Fortalecemos essa amizade e, com isso, crescem os negócios”, resumiu Piana. “Quanto mais a gente senta e conversa, mais a gente vende e pode comprar produtos que não são produzidos aqui. Isso é importante para o nosso Estado”.
Ele lembrou que o Estado fez comércio com mais de 180 países e territórios apenas no primeiro bimestre desse ano. O Paraná já alcançou US$ 3,1 bilhões em movimentação de vendas para outros países em 2026. Apenas em fevereiro foram US$ 1,7 bilhão. Os principais produtos exportados foram carne de frango (US$ 698 milhões), soja em grão (US$ 425 milhões), farelo de soja (US$ 191 milhões) e papel (US$ 137 milhões).
ECONOMIA – Economia e políticas públicas estiveram em primeiro plano nas conversas. Aos três embaixadores, Piana falou sobre o bom momento vivido pelo Paraná. Também apontou que o Paraná praticamente dobrou seu Produto Interno Bruto (PIB) entre 2018 e 2026, saltando de R$ 440 bilhões para cerca de R$ 800 bilhões.
E reforçou que esses números elevaram o Paraná ao posto de quarta maior economia do País, com taxa de desemprego de apenas 3,2% ao final de 2025 – o menor índice já medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Estado.
O governador em exercício disse, ainda, que o cenário favorável, fruto de ações como o enxugamento da máquina pública, permitiu investimentos de grande porte em infraestrutura e políticas sociais. Exemplo disso é o montante de R$ 776 milhões empenhados apenas em janeiro deste ano para esse fim, um recorde histórico. Além disso, em 2025, foram aplicados R$ 7,18 bilhões em diferentes áreas.
Um dos programas mais destacados por Piana foi o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais. É um instrumento financeiro com o intuito de permitir acesso dos produtores a recursos financeiros com juros abaixo do mercado para investir na ampliação e aprimoramento dos negócios.
Também teve destaque na apresentação paranaense a criação de um fundo soberano, para substituir os benefícios fiscais, que devem ser encerrados até 2028, em função da Reforma Tributária. Com o fundo, o Estado poderá operar como investidor âncora para mobilizar capital, nacional e internacional, oferecendo linhas de crédito em condições competitivas. É uma alternativa para atrair empresas e investimentos.
Já o Paraná Competitivo, que atraiu inúmeras empresas internacionais, foi outro ponto destacado. Nos últimos sete anos, o Estado trouxe R$ 300 bilhões em novos investimentos privados, aquecendo a economia e expandindo polos industriais no interior.
INFRAESTRUTURA – Importantes para a consolidação do Paraná como hub logístico da América Latina e para a atração de investimentos, as obras de infraestrutura de grande porte também foram tópicos das visitas.
Piana explicou a relevância da Ponte de Guaratuba para a sociedade paranaense e citou os trabalhos de aprimoramento das estradas em todas as regiões do Estado e os investimentos no Porto de Paranaguá – por onde boa parte da produção do Brasil e da América do Sul é escoada para o exterior.
Eleito o porto mais eficiente do País pelo sexto ano consecutivo, ele terá sua capacidade aumentada assim que for concluído o Moegão, uma estrutura que vai agilizar o recebimento de cargas transportadas por via férrea. A construção de um píer em T e a concessão do canal da Galheta prometem expandir ainda mais o potencial da estrutura.
A educação, por sua vez, teve como grande protagonista o programa Ganhando o Mundo, que leva alunos da rede pública para estudar durante um semestre em países de língua inglesa. A liderança no Ideb, ferramenta nacional que avalia a qualidade do ensino fundamental e médio, e o aumento das escolas de modelo integral de 73 (2019) para 412 (2026) também mereceram menção.
PAÍSES BAIXOS – No encontro com Aldrik Gierveld, dos Países Baixos, Piana fez questão de ressaltar a grande quantidade de imigrantes neerlandeses no Paraná, especialmente nos Campos Gerais. Castro, Arapoti e Carambeí, conhecida como a pequena Holanda, têm traços culturais, arquitetônicos e culinários muito fortes com o país europeu.
O governador em exercício lembrou que a presença desses imigrantes foi fundamental para consolidar a indústria leiteira na região, inclusive fundando a primeira cooperativa do Brasil, a Batavo. Atualmente, as cooperativas paranaenses têm grande participação na economia, sendo referência para todo o território nacional e se colocando entre as maiores do mundo.
“Estamos aqui para fazer negócios, porque há muitas oportunidades. Queremos crescer juntos com o Brasil, com o Paraná, e nos aproximar. É politicamente importante e economicamente essencial para nosso futuro comum. Acho que essa é uma oportunidade para nos conectarmos com o mercado daqui”, afirmou o embaixador Aldrik Gierveld.
ARGENTINA – O embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, está em solo paranaense pela primeira vez. Além da reunião no Palácio Iguaçu, ele vai participar de um painel no evento “Acordo entre a União Europeia e o Mercosul”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Depois, participa de um jantar oferecido pela Fecomércio.
Vizinha do Paraná, a Argentina tem forte relação com o Estado, sendo a segunda maior parceira comercial na atualidade. As exportações para o país cresceram em torno de 50% de 2024 para 2025, principalmente alavancadas pelo setor automotivo. Máquinas e equipamentos, sementes e frutos oleaginosos também foram produtos muito negociados com os argentinos.
No ano passado, foram exportados US$ 1,8 bilhão para a Argentina, ou seja, 7,7% do total negociado pelo Paraná. A parceria é estratégica para a indústria automotiva e a agropecuária paranaense, que têm no mercado argentino uma alternativa importante para a diversificação das exportações.
Durante o encontro, o embaixador revelou que o governo argentino tem oferecido vantagens para que empresas de outras localidades entrem no país. E o Paraná é visto com bons olhos nesse processo. “Um dos interesses primordiais da nossa gestão é atrair investimentos. A Argentina precisa de investimentos para potenciar o seu desenvolvimento. Achamos que empresas paranaenses podem aumentar a sua presença nas províncias argentinas. Fazer negócios que trariam benefício mútuo”, afirmou o embaixador.
“Tradicionalmente, a Argentina é um país fechado. Tivemos uma primeira aproximação com os acordos do Mercosul. Mas a intenção do nosso governo é aprofundar essa abertura, com mais intercâmbios, tanto de exportações quanto de importações”, explicou Raimondi. “Para isso, o Brasil é nosso sócio primordial. E, dentro do Brasil, observamos que o Paraná está em uma posição privilegiada”.
AUSTRÁLIA – A embaixadora australiana também abriu as portas para futuras negociações. “A relação comercial entre nossos países é forte, mas deveria ser mais. Temos várias empresas dispostas a investir no Brasil. Estão muito interessados nas oportunidades que o país oferece, com instituições sólidas, macroeconomia forte e estados fortes como o Paraná. Essa é uma oportunidade bem importante para nós”, afirmou Sophie Davis.
“Viemos para explicar melhor a situação do nosso país e tratar da possibilidade de ampliar as trocas entre a Austrália e o Brasil, especialmente o Paraná, porque entendemos que aqui o setor agrícola é tão importante quanto é para nós”, complementou, indicando que os principais interesses da missão diplomática são nos setores de economia, investimentos e educação.
Fonte: PARANAGOV