O complemento da renda é o motivo pelo qual cerca de um terço dos entrevistados pela pesquisa Raio-X da Vida Real, do Data Favela, dividem a rotina entre o tráfico de drogas e um trabalho lícito. O levantamento revela que 36% dos envolvidos com atividades ligadas à venda de entorpecentes exercem alguma outra atividade remunerada.
Dentro deste grupo, que concilia a vida no crime com um trabalho lícito, 42% fazem bicos; 24% afirmam ser empreendedores; 16% têm emprego formal com carteira assinada; 14% ajudam no empreendimento de familiares ou amigos; e 2% prestam serviços em projetos sociais.
As atividades laborais também refletem os níveis de formação educacional dos entrevistados, conforme os dados. Dentre as profissões de nível básico ou médio, as mais citadas foram: ajudante de pedreiro, gerente de loja, cozinheiro, vigilante, faxineira, costureira, doméstica, técnico em informática, entre outros.
Há também casos nos quais os entrevistados possuem formação no Ensino Superior e desempenham funções como administradores, advogados,
contadores, engenheiros, jornalistas e médicos.
57% deixariam o crime se tivessem oportunidade de emprego
Quando analisada a renda dos entrevistados, a pesquisa mostra que 63% recebem até 2 salários mínimos (R$ 3.040,00) mensais; 4% recebem de R$ 7,600 a R$ 15,200; e 2% recebem mais de R$ 15,200.
Promovida pela Central Única das Favelas (CUFA), pela Favela Holding e pelo Instituto DataGoal, a pesquisa Raio-X da Vida Real ouviu 3954 pessoas que exercem atividades ligadas ao tráfico de drogas. O levantamento foi realizado entre os dias 15/08/25 e 20/09/25, nas cinco regiões do país. O Data Favela é o primeiro instituto de pesquisa do Brasil dedicado a realizar pesquisas em favelas e periferias brasileiras.