A disputa de 2026 começou cedo — cedo demais —, mas o arranjo eleitoral segue indefinido, ainda que já exista uma assimetria importante entre os dois campos políticos hoje favoritos à eleição.
De um lado, o presidente Lula (PT) corre praticamente sozinho pela esquerda. Aos 80 anos, chega à nova disputa sem nunca ter permitido ou promovido o surgimento de novas lideranças ao seu redor. A força política continua centralizada em sua figura, o que simplifica o tabuleiro à esquerda, mas também revela a dependência de um único nome.
Do outro lado, a direita vive o cenário oposto: há vários nomes, mas falta alguém capaz de organizar a disputa. A fragmentação é tamanha que todos os potenciais candidatos orbitam a mesma pergunta: o que quer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)? Dele ainda depende a palavra final. Sem seu apoio explícito, qualquer candidatura nasce menor; com o apoio, nasce refém.
Esse impasse trava a movimentação dos partidos de centro-direita e direita, que tentam se viabilizar, mas permanecem à espera da bênção de Bolsonaro — que, aliás, já deixou claro que pretende manter seu nome na chapa.
A bandeira da segurança pública, fortemente apropriada pela direita, enfrenta o mesmo desalinho: assim como não conseguem se organizar para a eleição, tampouco chegam a um consenso sobre o que defender e em que momento. Avançamos, assim, para uma quinta versão da nova lei de combate ao crime organizado, e tudo indica que esse texto também não agradará a nenhum dos lados.
O país segue, portanto, no centro desse descompasso — entre um campo que não se renova e outro que não consegue se organizar.