A explosão de um motor do Airbus A330-300 durante um voo da Delta Airlines que partia do Aeroporto de Guarulhos (SP) para Atlanta, nos Estados Unidos, na noite deste domingo (29), levantou dúvidas sobre qual parte da aeronave teria sido afetada exatamente.
A CNN Brasil entrevistou especialistas sobre aviação e gerenciamento de risco e te explica as diferenças entre motor e turbina. Entenda abaixo:
Em acidentes como o do Aeroporto de Guarulhos, é comum ser usado o termo “turbina” quando se trata de explosões. Porém, a turbina é apenas um dos vários componentes de um motor aeronáutico, a verdadeira área afetada no acidente deste domingo (29).
De acordo com Ênio Beal Júnior, coronel da reserva da FAB e CEO da Jinkout Business Aviation, um motor aeronáutico opera em quatro etapas principais, sendo elas “ventilador”, “compressor”, “câmara de combustão” e “exaustão”.
- Ventilador (admissão): é a parte frontal e mais visível. A função principal do estágio é aspirar grandes volumes de ar. Nos motores turbofan, como os do modelo AirBus A330-300, a maior parte do ar não entra no núcleo do motor, mas passa por fora (processo chamado de bypass), o que garante um empuxo mais silencioso e eficiente.
- Compressor: está localizado logo atrás do ventilador e possui várias fileiras de palhetas que giram em alta velocidade para comprimir o ar, o que aumenta a pressão e temperatura.
- Câmara de combustão: é onde ocorre a queima contínua do combustível (querosene) misturado ao ar comprimido. Diferente de outros motores, aqui a queima a jato é contínua.
- Exaustão: é a fase final, em que os gases quentes são expelidos, o que gera a força necessária para a transferência do avião.
Já a turbina é como um “moinho”, sendo uma das partes internas do motor que está localizada após a câmara de combustão. Na turbina, os gases quentes e em alta pressão passam pela palheta, o que faz com que ela gire.
O papel principal da área é extrair energia para manter o sistema vivo. Ela está ligada a um eixo que conecta o ventilador e o compressor na parte frontal da aeronave. Ou seja, é a turbina que faz com que o sistema gire e funcione. Sem a turbina, o motor para.
Geraldo Portela, especialista em gerenciamento de risco, explicou que o A330 possui o que é chamado de “confiabilidade de dois trens 100%”. Isso significa que cada motor sozinho tem total capacidade de manter um voo seguro. Ou seja, se um motor falhar, o outro garante a necessidade de sustentação.
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Além disso, Portela também afirmou que o veículo aéreo tem um sistema de “redundância de dados”, que serve para garantir que o comandante receba o alerta de fogo. Para isso, existem cabos de dados redundantes que passam por caminhos diferentes na aeronave, um pelo lado esquerdo e um pelo lado direito, o que evita que o próprio incêndio corte a comunicação de emergência.
Entenda a explosão em avião
O motor de um avião da Delta Air Lines pegou fogo durante a decolagem no Aeroporto de Guarulhos, na noite deste domingo (29). Após a explosão, a aeronave, que tinha como destino a cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, retornou ao aeroporto de origem em um pouso forçado.
Segundo a Delta Air Lines, o voo DL104 da companhia era operado com o Airbus A330-323. O avião decolou de Guarulhos às 22h49 e retornou ao aeroporto na sequência, sendo recebido pela ARFF (Resgate e Combate a Incêndios de Aeronave).
Ainda conforme a companhia aérea, os passageiros foram então levados de ônibus até o terminal. A Defesa Civil Estadual e o Aeroporto de Guarulhos também confirmaram que nenhum passageiro e nenhum tripulante ficou ferido.
Imagens registradas pelo canal do YouTube Aviação Guarulhos mostram que, logo após a decolagem, o motor esquerdo da aeronave pegou fogo. Com a explosão, um material em chamas caiu no gramado do aeroporto, dando origem a um incêndio.
Na gravação, o áudio mostra a torre de controle alertando os pilotos sobre a presença de “fogo na asa”. Após a aeronave retornar ao aeroporto, controladores instruíram os pilotos a parar na pista de pouso e aguardar pelo atendimento de equipes no local.
No site da Delta Air Lines, a companhia informa que o voo foi cancelado. “Devido a um problema mecânico com a aeronave, cancelamos este voo. Pedimos desculpas pelo inconveniente”, reportaram.
Segundo apuração da equipe de reportagem, a pista foi liberada às 2h27 desta segunda-feira (30) e as operações do Aeroporto de Guarulhos foram normalizadas.
Veja a nota da Delta na íntegra:
“O voo 104 da Delta, de São Paulo para Atlanta, retornou ao aeroporto logo após a decolagem na noite de domingo, devido a um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave. O Airbus A330-300 pousou em segurança e foi recebido pelo serviço de resgate e combate a incêndio em aeroportos (ARFF). Os passageiros foram então levados de ônibus até o terminal. A segurança de nossos clientes e tripulantes é nossa maior prioridade. Pedimos desculpas aos nossos clientes pelo atraso em suas viagens.
Contexto:
– Voo 104 da Delta, de São Paulo (GRU) para Atlanta (ATL), em 29 de março.
– Aeronave Airbus A330-300, com 272 passageiros e 14 tripulantes.
– As equipes da Delta estão trabalhando para realocar os passageiros e garantir que cheguem em segurança ao seu destino.”