Antes de anunciar o envio de uma proposta própria sobre o fim da escala 6×1, o governo Lula procurou — e alinhou o movimento — com autores de projetos já apresentados no Congresso Nacional.
A lista inclui a deputada federal Érika Hilton (PSOL), autora de uma das PECs que alteram as relações trabalhistas e responsável por dar visibilidade ao assunto no último ano, especialmente nas redes sociais.
A capacidade de mobilização da deputada, aliás, foi o que chamou a atenção da equipe de Lula e convenceu aliados de que o presidente deveria embarcar no tema durante as eleições.
Além do texto de Hilton, o Palácio do Planalto pretende aproveitar outras iniciativas para formular sua própria proposta. A mais antiga é a do senador Paulo Paim (PT), que apresentou, em 2015, um projeto que prevê a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas.
Há ainda sobre a mesa o texto do deputado Reginaldo Lopes (PT), que propõe que a redução ocorra ao longo de 10 anos.
Em dezembro do ano passado, Hilton, Reginaldo e Paim estiveram no Planalto para selar um acordo sobre uma nova redação, com a digital do governo.
Participaram do encontro a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira, além do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
O encontro, segundo apurou a CNN, também confirmou a adesão do governo ao tema como uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de Lula à reeleição. A avaliação é que, além do forte apelo popular, o assunto pode reaproximar o presidente de sua base eleitoral.
Ficou de fora das articulações, no entanto, o relatório apresentado pelo deputado Luiz Gastão (PSD) na subcomissão que trata do tema na Câmara.
O parecer, ainda pendente de aprovação, defende a adoção da escala 4×3 e jornadas de 40 horas semanais — e não de 36 horas, como deseja o governo federal. As mudanças propostas por Gastão ainda dependeriam de negociações com sindicatos, por meio de convenções coletivas.