A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começa a produzir efeitos no mercado global de energia. Nesta segunda-feira (2), além da alta esperada na cotação do petróleo, tivemos disparada nos preços do gás natural liquefeito, o GNL.

Em conversa com jornalistas na tarde de hoje, o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, admitiu que pode haver problemas temporários no fornecimento de energia na região.

“As fontes de energia de Israel são diversificadas, mas temporariamente podemos ter problemas no fornecimento de energia, que rapidamente será resolvido. Já o aumento de preço vai ocorrer a nível global”, afirma Erdreich.

E não demorou para acontecer. Somente hoje os contratos futuros de gás natural no Reino Unido, por exemplo, dispararam mais de 43%, voltando ao maior nível desde fevereiro de 2025.

O salto veio após a QatarEnergy suspender a produção de GNL em Ras Laffan e Mesaieed, depois dos ataques com drones atribuídos ao Irã contra essas instalações energéticas no Catar.

Vale lembrar que o Catar não é um produtor qualquer. É um dos maiores exportadores de GNL do mundo. E há um fator ainda mais sensível: cerca de 20% do comércio global de GNL passa pelo Estreito de Ormuz, exatamente a rota que hoje sofre interrupções.

Então não é apenas para o petróleo que circula por ali que o Estreito se tornou um gargalo logístico. Boa parte do gás que abastece a Europa e a Ásia também depende dessa passagem marítima.

Com isso, a Europa, que já perdeu grande parte do fornecimento russo desde a guerra na Ucrânia, volta a ficar vulnerável. O Catar responde por aproximadamente 15% das importações europeias de GNL. Com estoques britânicos atualmente abaixo de 30% da capacidade ao fim de fevereiro, de acordo com informações da plataforma global Trading Economics, qualquer interrupção adicional eleva o risco de novo choque de preços e de oferta.

O cenário lembra, ainda que em menor escala, o trauma de 2022, quando a invasão russa desorganizou o mercado global de gás e levou as cotações europeias a níveis recordes, pressionando a inflação no bloco.

A Ásia também está exposta, já que mais de 80% do GNL do Catar vai para compradores asiáticos, com China e Índia entre os principais destinos.

Além da paralisação no Catar, a escalada do conflito também atingiu Israel. Segundo informações divulgadas pela Reuters, parte da produção de gás natural israelense foi temporariamente interrompida por questões de segurança após os ataques do Irã. Campos offshore no Mediterrâneo tiveram operações reduzidas de forma preventiva, o que afeta o fornecimento interno e pode impactar exportações para países vizinhos, como o Egito. Medida que reforça o risco de instabilidade no abastecimento regional de energia em meio ao avanço da guerra.

Temos ainda o fechamento da refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, após ataque com drone iraniano, que amplia a sensação de risco estrutural na infraestrutura energética do Golfo.

No atual cenário, mesmo que todas essas infraestruturas voltem a funcionar, normalizando a produção de gás no Oriente Médio, ele precisa circular. Se a rota está ameaçada, o preço sobe.

Energia mais cara significa custos maiores para indústria, transporte e consumo. Para bancos centrais que já lidam com inflação resistente, é um complicador relevante.

O conflito, ainda segundo o cônsul israelense, deve se intensificar nos próximos dias. Se a instabilidade no Estreito de Ormuz se prolongar, o impacto no mercado de gás pode se tornar o maior desde o início da guerra na Ucrânia.

E, como já estamos vendo, a conta já começou a aparecer no primeiro dia de mercados abertos após o início da guerra na madrugada de sábado (28).



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