A Honda terá o primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como uma empresa de capital aberto, atingida por até US$ 15,7 bilhões em custos de reestruturação no negócio de veículos elétricos, de acordo com anúncio da companhia nesta quinta-feira (12).

Sob o comando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Washington encerrou o apoio aos veículos elétricos, forçando montadoras como Ford e Stellantis a repensarem estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.

A segunda maior montadora do Japão disse nesta quinta-feira (12) que espera um impacto de até 2,5 trilhões de ienes (cerca de US$ 15,7 bilhões) com o cancelamento de três modelos de veículos elétricos planejados para produção nos EUA.

Embora os analistas esperassem mais perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, o tamanho da baixa contábil anunciado nesta quinta-feira (12) foi uma surpresa, apontou Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates.

“A principal surpresa foi o fato do programa de produção dos EUA ter sido cancelado, ao invés de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado”, declarou Boote.

O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, disse a jornalistas que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando “muito difícil” manter a lucratividade.

A Honda também está reduzindo o valor dos negócios na China, onde tem lutado para competir com modelos oferecidos por rivais como a BYD.

A Honda disse que espera ter prejuízo de até 570 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 3,6 bilhões) no ano fiscal que termina no final de março, em comparação com a previsão anterior de lucro de 550 bilhões de ienes. O resultado negativo será o primeiro prejuízo anual da companhia desde que foi listada no mercado de ações em 1957, destacou um porta-voz da montadora.

Perdas bilionárias

Várias montadoras globais registraram baixas contábeis dolorosas ao reduzirem as ambições sobre veículos elétricos nos últimos meses.

A perda na Honda eleva o total do setor para cerca de US$ 67 bilhões. A General Motors alertou para encargos de US$ 7,6 bilhões, enquanto a Stellantis sinalizou US$ 25 bilhões e a Ford, US$19 bilhões.

Além dos principais mercados, Japão e EUA, a Honda disse que fortalecerá a linha de modelos e a competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão.

Sob pressão dos rivais chineses na Ásia e em outros lugares, as montadoras japonesas têm se concentrado cada vez mais na Índia, um mercado onde – como nos EUA – as montadoras chinesas estão excluídas.

Mibe e o vice-presidente executivo da Honda, Noriya Kaihara, renunciarão voluntariamente ao equivalente a 30% da remuneração por três meses, enquanto alguns outros executivos abrirão mão de 20%, informou a Honda.

A empresa planeja anunciar uma estratégia de negócios renovada de médio a longo prazos no próximo ano fiscal.



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