O ex-senador Romero Jucá (MDB) afirmou em entrevista ao WW que o famoso “acordo nacional, com o Supremo, com tudo”, mencionado em gravação de 2016, tinha como objetivo viabilizar o afastamento da então presidente Dilma Rousseff, e não interromper as investigações da Operação Lava Jato, como foi interpretado à época.

“Quando eu conversei e a gente discutiu a saída da presidente Dilma, o Brasil estava afundando na economia. O governo da Dilma era um governo que não tinha mais condição de sustentação”, declarou Jucá. Segundo ele, o acordo mencionado visava organizar os poderes para que o impeachment pudesse ocorrer dentro dos trâmites constitucionais.

Jucá fez questão de esclarecer um ponto específico da gravação que gerou grande repercussão: “Quando eu falei no afastamento da Dilma e num acordo para afastar a Dilma, era um acordo para que os poderes se organizassem e pudesse haver a saída da presidente Dilma. A saída como? Através de um instrumento constitucional, que era o impeachment, que seria presidido por um ministro do Supremo“.

Detalhes da gravação e sua interpretação

Na entrevista, Jucá detalhou que a famosa frase “com o Supremo, com tudo” foi dita por Sérgio Machado, seu interlocutor na gravação, e não por ele próprio. “Eu disse que precisa de um acordo nacional para afastar a Dilma. E aí o Sérgio falou “com o Supremo, com tudo”. Foi ele que falou, não fui eu que falei”, explicou.

O ex-senador fez questão de separar os episódios, afirmando que o acordo para o impeachment de Dilma ocorreu em um contexto, enquanto as investigações da Lava Jato vieram depois. “Não era um acordo para parar a investigação contra ninguém. Essa investigação veio depois do processo da Dilma”, afirmou.

Jucá também comentou sobre sua própria experiência com as investigações da Lava Jato, afirmando que foi investigado por 10 anos sem que nada fosse provado contra él. “Eu tomo o meu exemplo. Eu fui investigado 10 anos da minha vida. Fui atacado, fui investigado, não podia nem me defender direito, porque a imprensa não queria ouvir isso, o que a gente tinha a dizer. Passei 10 anos e nada foi levantado contra mim, nada”, declarou.

Ao ser questionado sobre comparações com o atual caso envolvendo o Banco Master, Jucá fez questão de diferenciar as situações, afirmando que se trata de um caso específico de corrupção e desvio de recursos, caracterizando-o como “uma pirâmide financeira” com evidências claras, diferentemente do que ocorreu na Lava Jato.



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