O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer sair do encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o anúncio de um grupo de trabalho integrado por brasileiros e americanos, com cronograma de ações para combater o crime organizado.
Caso obtenha sucesso em anunciar na Casa Branca o fechamento deste acordo, Lula avalia que este seria um grande trunfo para ser usado na campanha eleitoral justamente na área de segurança pública, onde o governo petista tem dificuldades. Pesquisas recentes mostram que o tema lidera a preocupação dos eleitores. O discurso da direita é percebido como mais alinhado ao combate da criminalidade.
Outro tema que deve ser abordado é o Conselho de Paz, criado por Trump — uma espécie de ONU paralela cujos poderes de decisão, basicamente, são dos Estados Unidos. Lula deve insistir que o Brasil só integrará o conselho caso o espectro de atuação seja circunscrito à questão da Faixa de Gaza e que os palestinos sejam convidados a participarem do grupo.
A data da reunião presidencial entre os dois ainda não foi marcada, mas deve ocorrer na segunda quinzena de março. Também ainda não está definido o formato: se será apenas uma reunião de trabalho ou se haverá algum tipo de recepção.
A CNN revelou também que no tête-à-tête na Casa Branca, Lula deve tentar tirar de Trump um aval para que a Petrobras possa voltar a atuar na Venezuela.
A estatal brasileira já atuou em solo venezuelano no passado, mas instabilidades políticas, econômicas e sanções afastaram a Petrobras do país caribenho.
Com a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o governo de Delcy Rodríguez se comprometeu a dar para Trump decisões estratégicas sobre a exploração e comercialização do petróleo na Venezuela.
Trump tem incentivado empresários americanos e países estrangeiros a investirem no país. A ideia de Lula é demonstrar um possível interesse da Petrobras em voltar aos campos venezuelanos.
Lula também pretende falar sobre as sanções americanas a Cuba. O presidente brasileiro deve ponderar com Trump sobre o perigo de ter o agravamento de uma crise humanitária em um país tão próximo às fronteiras americanas, além de abordar o sofrimento da população.
Em janeiro deste ano, o presidente americano passou a tarifar países que fornecem petróleo à ilha.
Sem combustível, a medida afeta a economia do país, inclusive o turismo, importante fonte de renda para os cubanos.