Integrantes da base do governo que compõem a CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS avaliaram, nesta segunda-feira (16), que o material da quebra de sigilo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não tem relação direta com as investigações da comissão de inquérito.
Parte dos dados do dono do Banco Master foram recebidos pelo colegiado e estão concentrados em uma sala-cofre.
“Do que vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPMI. Não vi nenhum documento que trate de crédito conciliado ou de desconto associativo do INSS. Existe um volume muito grande de informações. Uma parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) a jornalistas.
A comissão aprovou a quebra de sigilo de Vorcaro para aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades de empréstimos consignados do Master. Os documentos chegaram ao colegiado na semana passada, quando a sala-cofre foi inagurada.
Nesta segunda-feira, além de Pimenta, também visitaram a sala os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP), além dos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF).
Segundo parlamentares governistas, no material não há menções a integrante da gestão atual ou de filiados ao PT, mas haveria citações a nomes do governo Bolsonaro — o sigilo dos dados, no entanto, impede a verificação das declarações.
Na semana passada, deputados da oposição negaram que houvesse menções a integrantes do governo anterior e de aliados do ex-presidente.
Sobre a dificuldade de filtro e acesso dos dados, Rogerio Correia afirmou haver uma “bagunça generalizada” com material amplo, em especial sobre a “vida particular” de Vorcaro. Por conta do sigilo, os deputados não entraram em detalhes sobre as informações obtidas.
Para Alencar Santana, primeiro vice-líder do governo na Câmara, parte do sigilo dos dados poderia ser levantada para esclarecer as conexões de Vorcaro.
“Tirando aquilo que é pessoal, acho que muita coisa poderia se tornar pública para as pessoas perceberem quem é quem, a relação que ele tinha, de quais eventos, de quais governos ele participava, a relação política, a relação pessoal, a relação de convescotes que ele também fazia, os eventos financiados aparentemente pela estrutura do banco”, defendeu.
Como a CNN Brasil mostrou, a análise do dados até o momento expõe parte da rede de contatos de Vorcaro, mas pouco ainda sobre o conteúdo de conversas e fatos concretos.
A sala-cofre é um espaço reservado no Senado Federal com sete computadores à disposição dos parlamentares e servidores credenciados.
Para acessar o local, há detectores de metais e não é permitido o uso de equipamentos eletrônicos. As máquinas também não possuem conexão com a internet. A sala foi disponibilizada na sexta-feira (13) e ficou aberta para visita dos parlamentares inclusive no fim de semana.