As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde o início da semana provocaram um deslizamento de lama que destruiu a casa onde viviam o professor de educação infantil, Marcelo de Souza Bastos, de 32 anos, e a mãe, a bancária aposentada Rosa Maria Souza Bastos, de 68, em Juiz de Fora. Desde terça-feira (24), os dois estão abrigados em casas de familiares.
À CNN Brasil, Marcelo relatou que, ao chegar do trabalho naquela noite, encontrou a mãe assustada do lado de fora da residência, que já era atingida pela lama que descia do Morro do Cristo, no bairro Paineiras. A cachorra da família chegou a ser levada pela enxurrada, mas foi resgatada por moradores da região.
Na correria, ele afirma que ouviu dois estrondos vindos da própria casa, mas apenas no segundo foi possível dimensionar o estrago. “Quando ouvimos o segundo estrondo, percebemos que a lama estava descendo com muita intensidade”, contou.
Entre 23h e 2h30, no intervalo entre os dois barulhos, Marcelo e a mãe decidiram se abrigar no prédio em frente ao imóvel até receber ajuda. Após o desabamento, precisaram pular o muro para a casa vizinha em busca de proteção.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais chegou às 2h30 e realizou a evacuação dos moradores pela parte frontal do edifício em que se abrigaram. O professor informou que a Defesa Civil estadual também esteve na ocorrência.
As equipes seguem na limpeza das vias, enquanto as famílias atingidas tentam retomar a rotina após a tragédia, que já deixou pelo menos 70 mortos desde segunda-feira (23).
A vida após o trauma
Marcelo afirma estar sem perspectivas para o futuro. “É uma sensação de perder tudo, de não saber se sobrou alguma coisa, de incerteza total”, disse.
Atualmente, Rosa e a cachorra estão na casa de uma irmã da aposentada, enquanto Marcelo está morando com a namorada.
Ao retornar ao local para verificar se restava algum pertence, ele afirmou não imaginar a volta da mãe ao mesmo bairro, devido à carga emocional de presenciar a própria casa desabar e o desespero vivido durante o episódio.
Na mesma rua onde ficava o imóvel da família, o policial Reinaldo Neiva Ferreira, de 36 anos, morreu soterrado ao tentar salvar a namorada e amigos durante o deslizamento.
Tragédia e assistência na Zona da Mata
Até o momento, mais de 3.500 pessoas estão desalojadas em Juiz de Fora e Ubá.
O governo federal sobrevoou a região e informou que prestará apoio às autoridades locais com carretas equipadas para a realização de exames de imagem. Além disso, Juiz de Fora receberá duas unidades móveis de saúde, enquanto Ubá contará com quatro.
Trinta e oito bombeiros atuarão nas duas cidades para realizar vistorias. Engenheiros civis com experiência em riscos geológicos trabalharão em conjunto com as Defesas Civis municipais na avaliação de áreas de risco a partir de segunda-feira (2).
*Com informações de Julia Naspolini e Rafael Saldanha