A Polícia Civil do Espírito Santo investiga o envolvimento de policiais civis no tráfico de drogas. Em nota divulgada na sexta-feira (27), foi determinado à Corregedoria Geral da Polícia Civil a apuração das providências do delegado-geral José Darcy Arruda, que recebeu a denúncia.

Ainda de acordo com o posicionamento, o caso veio à tona durante uma entrevista concedida pelo delegado-geral a um repórter da TV Globo. Um delegado teria relatado o crime durante um depoimento no âmbito da Operação Turquia, que investiga uma organização criminosa composta por servidores públicos envolvidos com o tráfico de drogas.

“Cabe ressaltar operação em questão, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (FICCO/ES) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (GAECO/MPES), contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil do Estado no cumprimento dos mandados de prisão dos envolvidos”, diz o comunicado.

O policial investigado seria, segundo relato do delegado, “o maior traficante de drogas do Espírito Santo”.

De acordo com a instituição, foi solicitado ao MPES (Ministério Público do Espírito Santo) o acesso integral ao depoimento do delegado citado.

À CNN Brasil, o Ministério Público, por meio do GAECO, informou que a denúncia, apresentada em dezembro de 2025, foi recebida pela Justiça no mesmo mês, passando os denunciados à condição de réus no processo, que tramita no Poder Judiciário.

“O MPES reitera seu compromisso com a legalidade e informa que seguirá adotando as medidas cabíveis, no âmbito de suas atribuições, com respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais da ampla defesa”, afirmam em nota.

Operação Turquia

No dia 18 de março deste ano, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo, no âmbito da Operação Força Integrada, deflagrou, em conjunto com o GAECO Gaeco, a segunda fase da Operação Turquia, que investiga uma organização criminosa composta por servidores públicos envolvidos com o tráfico de drogas.

As apurações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em Vitória, o Espírito Santo, em fevereiro de 2024. Foram identificados fortes indícios de vínculo entre investigado e servidores públicos, evidenciando possível cooperação ilícita durante a realização de diligências policiais.

Os elementos colhidos indicam que parte das drogas apreendidas em ações oficiais estaria sendo desviada para a própria organização criminosa. Conforme apurado, uma fração dos entorpecentes não era devidamente registrada nos boletins de ocorrência, sendo posteriormente repassada a intermediários ligados ao grupo.

Na primeira fase, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e três medidas cautelares de afastamento das funções públicas de policiais civis lotados no Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil do Espírito Santo.

Com a continuidade das investigações, surgiram novos elementos que apontam para o envolvimento de outro policial civil do mesmo setor, bem como de outras lideranças do tráfico de drogas que atuavam em conjunto com os servidores públicos, os quais também são alvos.

Na segunda etapa da investigação, foi decretada a prisão temporária de um policial civil que, na fase anterior, havia sido apenas afastado de suas funções.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária, uma medida cautelar de afastamento da função pública e três mandados de busca e apreensão.

Além disso, foi realizada uma prisão em flagrante, após a localização, em uma das residências, de porções de cocaína e de haxixe, além de insumos destinados ao tráfico de drogas.



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