A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nesta segunda-feira (16) o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, pelo crime de obstrução de investigação relacionada à facção criminosa Comando Vermelho.
Também foram denunciados o desembargador Macário Ramos Júdice Neto; a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima; e seu assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado.
Segundo a PGR, os denúnciados atuaram juntos para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 com o objetivo desarticular uma organização criminosa dedicada à prática de tráfico internacional de armas de fogo e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos de elevada gravidade, liderada por integrantes do Comando Vermelho.
TH Joias era um dos principais alvos da operação e teria sido avisado previamente sobre a ação policial. A PGR afirma que desembargador federal Macário Neto teria revelado antecipadamente ao deputado Rodrigo Bacellar, descrito como amigo próximo, informações sigilosas sobre medidas cautelares que seriam cumpridas na Operação Zargun, autorizadas sob sua relatoria no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
De acordo com a acusação, os dois se encontraram pessoalmente em 2 de setembro de 2025, na véspera da operação, quando teriam tratado do repasse de informações sobre a ação policial.
Bacellar teria, em sgeuida, avisado TH Joias da investigação. Entre os indícios apontados está o fato de que, no momento das buscas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, não foram encontrados computadores ou mídias digitais. Além disso, ele teria deixado sua residência na véspera da operação.
A denúncia afirma que o esvaziamento do imóvel contou com auxílio da esposa, Jéssica de Oliveira Lima, que teria conduzido um veículo e transportado parte dos objetos retirados do local.
Após retirar materiais de interesse da investigação e passar a ser considerado foragido, TH Joias foi localizado pela polícia no apartamento de seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento Salgado. Segundo a acusação, o assessor ajudou o ex-deputado a se esconder e também teria adotado medidas para apagar evidências digitais.
“Os elementos de que os autos estão refertos, portanto, não deixam dúvidas de que os denunciados obstruíram a investigação de infração penal que envolve organização criminosa armada, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal”, afirma o procurador-geral, Paulo Gonet.
A denúncia da PGR é o primeiro passo para a possível abertura de uma ação criminal contra os envolvidos. O caso está no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
O magistrado deverá agora pedir que todos os denunciados apresentem uma defesa prévia e, depois, agendará uma sessão para que a Corte julgue se a PGR conseguiu oferecer elementos mínimos que justifiquem a abertura de um processo. Se entenderem que sim, os denunciados se tornarão réus no STF.
Outro lado
Em nota, a defesa do deputado Rodrigo Bacellar afirmou receber “com surpresa” a denúncia da PGR. Segundo os advogados, a procuradoria fez alegações baseadas em “ilações e narrativas” já refutadas.
“A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que NADA foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos. Pontue-se, ainda, que foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o Deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita”, afimam.
A CNN tenta contato com a defesa dos outros investigados. O espaço segue em aberto.