Mudanças no regulamento dos motores podem causar diferenças grandes nas largadas e aumentar o risco de colisões logo após a luz verde
Um grande acidente na largada pode ser inevitável nesta temporada caso o regulamento dos novos motores da Fórmula 1 não seja ajustado, alertaram vários pilotos antes do Grande Prêmio da China. Segundo eles, algumas unidades de potência fazem certos carros arrancarem muito mais rápido que outros.
O piloto da Racing Bulls, Liam Lawson, afirmou que chegou a se preparar para um possível impacto na última etapa, o Grande Prêmio da Austrália, quando seu carro teve dificuldades na largada e ele viu pelo retrovisor a Alpine de Franco Colapinto se aproximando rapidamente.
“Se continuar assim, então sim”, disse o neozelandês ao ser questionado se seria apenas questão de tempo até ocorrer um grande acidente. “No momento, é bastante perigoso.”
Lawson elogiou os reflexos de Colapinto, que conseguiu desviar rapidamente e evitou bater na traseira do carro da Racing Bulls.
Pelas novas regras da Fórmula 1 para 2026, cerca de metade da potência máxima do carro vem da bateria. Além disso, o turbo deixou de ser pré-acelerado por um motor elétrico, componente retirado das unidades de potência deste ano, o que dificulta acumular energia suficiente enquanto os carros aguardam no grid antes da largada.
Com a divisão de potência em 50% elétrica e 50% do motor a combustão, os carros da temporada produzem muito mais torque. Isso faz com que um carro que larga mais atrás possa atingir velocidades muito maiores em poucos segundos, aumentando o risco de colisões caso algum piloto da frente tenha dificuldades para arrancar.
“É apenas questão de tempo até acontecer um grande acidente”, afirmou o piloto da Cadillac, Sergio Perez. “Essas unidades de potência são muito difíceis de largar.”
O piloto da Williams, Carlos Sainz Jr., também acredita que um acidente grave pode ocorrer caso as regras não sejam modificadas. Ele destacou ainda que o novo modo “Boost”, criado para facilitar ultrapassagens, pode fazer com que os carros se aproximem do rival à frente com diferenças perigosas de velocidade, entre 40 e 60 km/h durante a corrida.
Colapinto acredita que as equipes encontrarão rapidamente um melhor equilíbrio nas largadas, mas reconheceu que, neste momento, a situação ainda inspira cuidado.
Questionado sobre a possibilidade de adotar observadores no estilo da Nascar, profissionais que informam os pilotos em tempo real pelo rádio durante a largada, o argentino afirmou que o início da corrida é tão rápido que as informações enviadas pela equipe pelo volante muitas vezes não são suficientes.