A Polícia Federal prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, da Unicamp, sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório de alta contenção no Instituto de Biologia.
O caso, que resultou em uma investigação por crimes contra a biossegurança e o patrimônio público, revelou o desvio de amostras virais e o descarte irregular de frascos em lixeiras comuns da instituição.
Início das investigações – 13 de fevereiro
O desaparecimento das amostras foi detectado na manhã de 13 de fevereiro, no Laboratório de Virologia Aplicada.
O material estava em uma área de nível NB-3, ambiente de alta segurança biológica sujeito a protocolos rigorosos de acesso.
Conforme o inquérito policial, Soledad Miller, que é docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), não possuía acesso direto ao local do furto.
Dinâmica do crime – 21 de Março
Para entrar nos laboratórios, ela teria utilizado a influência do cargo para solicitar que uma aluna de mestrado abrisse as portas das instalações restritas.
As amostras subtraídas foram transferidas para freezers de outros pesquisadores sem autorização prévia. Durante as buscas, a perícia localizou frascos abertos e manipulados, além de uma grande quantidade de material descartado em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.
Segundo a Justiça Federal, tal conduta configurou exposição da saúde de terceiros a perigo direto.
Prisão e medidas judiciais – 23 e 24 de março
A prisão em flagrante da investigada ocorreu na segunda-feira (23), enquanto ela conduzia seu veículo em uma via pública de Campinas.
Na terça-feira (24), após audiência de custódia, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora. A decisão judicial impôs medidas cautelares, incluindo:
- Pagamento de fiança no valor de dois salários-mínimos.
- Proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp.
- Proibição de deixar o país sem autorização prévia e entrega do passaporte.
- Comparecimento mensal obrigatório à 9ª Vara Federal de Campinas.
Perfil e desdobramentos
Soledad Palameta Miller, de 36 anos, ingressou como docente na Unicamp em agosto de 2025. A investigada possui doutorado em Ciências e detém uma patente voltada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus.
A Unicamp informou ter instaurado uma investigação interna e reiterou que colabora integralmente com a Polícia Federal, a Anvisa e o Ministério da Agricultura no esclarecimento dos fatos.
Os crimes investigados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.