Relações comerciais dominam reuniões de Piana com embaixadores de Argentina, Austrália e Países Baixos 

O governador em exercício Darci Piana recebeu, nesta quarta-feira (18), a visita de três embaixadores. Estiveram no Palácio Iguaçu os representantes da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi; dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, e da Austrália, Sophie Davis. Os três encontros tiveram como objetivos o estreitamento das relações entre o Paraná e os países, principalmente comerciais, e a apresentação do atual cenário do Estado aos emissários internacionais.

“Sempre é importante falar com embaixadores, principalmente quando os países são nossos compradores ou participam de acordos comerciais. Fortalecemos essa amizade e, com isso, crescem os negócios”, resumiu o governador em exercício. “Quanto mais a gente senta e conversa, mais a gente vende e pode comprar produtos que não são produzidos aqui. Isso é importante para o nosso Estado”, apontou, dando o tom que dominou todas as reuniões: o desenvolvimento das relações comerciais.

“Estamos aqui para fazer negócios, porque há muitas oportunidades. Queremos crescer juntos com o Brasil, com o Paraná, e nos aproximar. É politicamente importante e economicamente essencial para nosso futuro comum. Acho que essa é uma oportunidade para nos conectarmos com o mercado daqui”, afirmou o embaixador Aldrik Gierveld.

Intenção bastante similar à do embaixador argentino. “Tradicionalmente, a Argentina é um país fechado. Tivemos uma primeira aproximação com os acordos do Mercosul. Mas a intenção do nosso governo é aprofundar essa abertura, com mais intercâmbios, tanto de exportações quanto de importações”, explicou Raimondi. “Para isso, o Brasil é nosso sócio primordial. E, dentro do Brasil, observamos que o Paraná está em uma posição privilegiada”, complementou.

As conversas com a embaixadora da Austrália não fugiram muito desse foco, mas tiveram o acréscimo de temas como ciência e educação. “Viemos para explicar melhor a situação do nosso país e tratar da possibilidade de ampliar as trocas entre a Austrália e o Brasil, especialmente o Paraná, porque entendemos que aqui o setor agrícola é tão importante quanto é para nós”, disse Sophie Davis, indicando que os principais interesses da missão diplomática são nos setores de economia, investimentos e educação.

ECONOMIA – Desse modo, economia e políticas públicas estiveram em primeiro plano nas conversas. Aos três embaixadores, Piana falou sobre o bom momento vivido pelo Paraná, sendo o Estado cuja economia mais cresce no país, com 6% ao ano. Apontou que o Paraná praticamente dobrou seu Produto Interno Bruto (PIB) entre 2018 e 2026, saltando de R$ 440 bilhões para cerca de R$ 800 bilhões. 

E reforçou que esses números elevaram o Paraná ao posto de quarta maior economia do país, com taxa de desemprego de apenas 3,2% ao final de 2025 – o menor índice já medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Estado. “Acredito que o Paraná está liderando pelo exemplo”, comentou o embaixador dos Países Baixo.

O governador em exercício disse, ainda, que o cenário favorável, fruto de ações como o enxugamento da máquina pública, permitiu investimentos de grande porte em infraestrutura e políticas sociais. Exemplo disso é o montante de R$ 776 milhões empenhados apenas em janeiro deste ano para esse fim, um recorde histórico. Além disso, em 2025, foram aplicados R$ 7,18 bilhões em diferentes áreas.

Um dos programas mais destacados por Piana foi o Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais). É um instrumento financeiro com o intuito de permitir acesso dos produtores a recursos financeiros com juros abaixo do mercado para investir na ampliação e aprimoramento dos negócios. 

Também teve destaque na apresentação paranaense a criação de um fundo soberano, para substituir os benefícios fiscais, que devem ser encerrados até 2028, em função da Reforma Tributária. Com o fundo, o Estado poderá operar como investidor âncora para mobilizar capital, nacional e internacional, oferecendo linhas de crédito em condições competitivas. É uma alternativa para atrair empresas e investimentos.

Já o Paraná Competitivo, que atraiu inúmeras empresas internacionais, foi outro ponto destacado. Nos últimos sete anos, o Estado trouxe R$ 300 bilhões em novos investimentos privados, aquecendo a economia e expandindo polos industriais no interior.

ESTRUTURA – Importantes para a consolidação do Paraná como hub logístico da América Latina e para a atração de investimentos, as obras de infraestrutura de grande porte também foram tópicos das visitas. Piana explicou a relevância da Ponte de Guaratuba para a sociedade paranaense e citou os trabalhos de aprimoramento das estradas em todas as regiões do Estado e os investimentos no Porto de Paranaguá – por onde boa parte da produção do Brasil e da América do Sul é escoada para o exterior. 

Eleito o porto mais eficiente do país pelo sexto ano consecutivo, ele terá sua capacidade aumentada assim que for concluído  o Moegão, uma estrutura que vai agilizar o recebimento de cargas transportadas por via férrea.  A construção de um píer em T e a concessão do canal da Galheta prometem expandir ainda mais o potencial da estrutura.

Os 2,4 mil km de ferrovias e a futura expansão da malha entre o Mato Grosso e Paranaguá, bem como o asfaltamento em concreto de mais de 700 km de rodovias foram lembrados. E o programa Asfalto Novo, Vida Nova, responsável por levar asfalto a todas as ruas do perímetro urbano do Paraná, bem como iluminação de LED, foi outro projeto destacado. Nele, já se investiu R$ 1,3 bilhão, para a pavimentação de 552 km.

EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE – A educação, por sua vez, teve como grande protagonista o programa Ganhando o Mundo, que leva alunos da rede pública para estudar durante um semestre em países de língua inglesa. A liderança no IDEB, ferramenta nacional que avalia a qualidade do ensino fundamental e médio, e o aumento das escolas de modelo integral de 73 (2019) para 412 (2026) também mereceram menção.

A sustentabilidade e a preservação do meio ambiente ganharam espaço nas conversas diplomáticas. Piana frisou que, pelo quarto ano consecutivo, o Paraná foi eleito o mais sustentável do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, obtendo a nota máxima (100) no pilar ambiental.

PAÍSES BAIXOS – No encontro com Aldrik Gierveld, dos Países Baixos, Piana fez questão de ressaltar a grande quantidade de imigrantes neerlandeses no Paraná, especialmente nos Campos Gerais. Castro, Arapoti e Carambeí, conhecida como a pequena Holanda brasileira, têm traços culturais, arquitetônicos e culinários muito fortes com o país europeu.

O governador em exercício lembrou que a presença desses imigrantes foi fundamental para consolidar a indústria leiteira na região, inclusive fundando a primeira cooperativa do Brasil, a Batavo. Atualmente, as cooperativas paranaenses têm grande participação na economia, sendo referência para todo o território nacional e se colocando entre as maiores do mundo. “Das 10 maiores cooperativas da América do Sul, sete estão no Paraná”, disse Piana.

Até por isso, o Governo do Estado criou, por meio da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), o Coopera Paraná: Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar do Paraná. Sua meta é fortalecer as organizações, como cooperativas e associações, como instrumentos para melhorar a competitividade e a renda dos agricultores familiares. Em 2026, o programa conta com investimento de até R$ 100 milhões em recursos estatais, com um valor para cada Projeto de Negócio de até R$ 2,2 milhões.

A programação de Gierveld no Paraná inclui visitas a empresas e cooperativas.

ARGENTINA – O embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, está em solo paranaense pela primeira vez. Além da reunião no Palácio Iguaçu, ele vai participar de um painel no evento “Acordo entre a União Europeia e o Mercosul”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). Depois, participa de um jantar oferecido pela Fecomércio.

Vizinha do Paraná, a Argentina tem forte relação com o Estado, sendo a segunda maior parceira comercial na atualidade. As exportações para o país cresceram em torno de 50% de 2024 para 2025, principalmente alavancadas pelo setor automotivo. Máquinas e equipamentos, sementes e frutos oleaginosos também foram produtos muito negociados com os argentinos. 

Diante disso, no ano passado, foram exportados US$ 1,8 bilhão para este destino, ou seja, 7,7% do total negociado pelo Paraná. A parceria é estratégica para a indústria automotiva e a agropecuária paranaense, que têm no mercado argentino uma alternativa importante para a diversificação das exportações.

Durante o encontro, o embaixador revelou que o governo argentino tem oferecido vantagens para que empresas de outras localidades entrem no país. E o Paraná é visto com bons olhos nesse processo. “Um dos interesses primordiais da nossa gestão é atrair investimentos. A Argentina precisa de investimentos para potenciar o seu desenvolvimento. Achamos que empresas paranaenses podem aumentar a sua presença nas províncias argentinas. Fazer negócios que trariam benefício mútuo”, afirmou o embaixador.

AUSTRÁLIA – A embaixadora australiana abriu as portas para futuras negociações, depois passou a palavra ao conselheiro de Educação e Pesquisa da Austrália no Brasil, Peter Nolan, que a acompanhou ao evento. “A relação comercial entre nossos países é forte, mas deveria ser mais. Temos várias empresas dispostas a investir no Brasil. Estão muito interessados nas oportunidades que o país oferece, com instituições sólidas, macroeconomia forte e estados fortes como o Paraná. Essa é uma oportunidade bem importante para nós”, afirmou Sophie Davis.

Em sua fala, Nolan revelou que apesar de ter 0,3% da população mundial, a produção científica da Austrália é de 3%. E eles querem mais. Por isso, buscam parceiros. “Ficamos encantados em visitar algumas das suas instituições para encontrar áreas de força mútua nas quais possamos ser parceiros, especialmente em setores que são importantes para nós: agricultura, mineração e minerais, energia sustentável, medicina e vários outros campos”, resumiu.

Fonte: PARANAGOV

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