A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) entrou com recurso nesta quarta-feira na Corte Arbitral do Esporte (CAS) para tentar reverter a decisão que retirou do país o título da Copa Africana de Nações.

A seleção de Senegal havia sido declarada vencedora da final disputada em 18 de janeiro, em Rabat, contra Marrocos. No entanto, o resultado foi posteriormente anulado após a equipe abandonar o campo em protesto contra a marcação de um pênalti considerado decisivo para o adversário.

Apesar de terem retornado ao gramado após 14 minutos e vencido a partida por 1 a 0, a comissão de apelação da Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu transformar o placar em uma vitória por 3 a 0 para os marroquinos, decretando a perda do título pelos senegaleses.

Em nota, a CAS informou que o recurso apresentado pela FSF pede a anulação da decisão da CAF e o reconhecimento de Senegal como campeão do torneio. A federação também solicitou a suspensão imediata do prazo para envio das alegações formais até que a decisão completa da entidade africana seja oficialmente comunicada.

Ainda segundo o tribunal, um painel arbitral será designado para analisar o caso, e um cronograma processual será definido na sequência.

O episódio gerou repercussão no país, levando o governo senegalês a solicitar a abertura de uma investigação sobre a retirada do título. Enquanto isso, os advogados da federação devem conceder uma coletiva de imprensa em Paris nesta quinta-feira para detalhar os próximos passos da defesa.

Punições prévias

O Senegal recebeu as sanções mais duras: o técnico Pape Thiaw foi suspenso por cinco jogos e multado em US$ 100 mil por liderar um protesto contra um pênalti. A federação foi multada em mais de US$ 600 mil por comportamento de torcedores, jogadores e comissão, além de outras penalidades menores.

Jogadores como Ismaïla Sarr também foram suspensos.

Não obstante, o Marrocos também foi penalizado: Achraf Hakimi pegou dois jogos de suspensão (um condicionado), Ismael Saibari foi suspenso por três partidas e multado. A federação recebeu cerca de US$ 315 mil em multas por condutas de jogadores, torcedores e até gandulas.

As punições valem apenas para competições da CAF e não afetam a Copa do Mundo.

Relembre o jogo

final da CAN foi marcada por uma polêmica histórica: no último lance do tempo normal, após oito minutos de acréscimos, o árbitro marcou pênalti para os marroquinos por uma suposta falta dentro da área, sobre Brahim Díaz. Inconformados, os senegaleses ameaçaram deixar o campo.

A situação foi agravada por um lance anterior, em que um gol do Senegal tinha sido anulado por falta em cima de Hakimi na conclusão do lance.

O jogo ficou interrompido por mais de dez minutos e alguns membros da seleção senegalesa chegaram a ir para o vestiário. Mas, no final das contas, a disputa foi retomada e o próprio Brahim Díaz desperdiçou a cobrança, chutando fraco em cima de Mendy.

O jogador marroquino, que também atua no Real Madrid, ficou claramente abalado, e chegou a discutir com o técnico Walid Regragui logo após a cavadinha.

Com a cobrança perdida, a final seguiu para a prorrogação, e logo aos quatro minutos veio a “vingança” senegalesa: o gol de Pape Gueye, que rendeu o título aos leões.

Díaz foi substituído pouco depois do Senegal abrir o placar e foi filmado visivelmente abalado no banco de reservas. Marrocos ainda tentou reagir, ficando a maior parte do tempo no ataque, e chegou a ter chances claras de gol, mas pecou na finalização.

Por outro lado, o goleiro Bono também teve trabalho para impedir que os adversários ampliassem. Com a falta de outros gols, a partida terminou em 1 a 0.



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