O Brasil fechou 2025 com uma taxa de investimento a 16,8% do PIB, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (3). Em 2024, esse número havia sido de 16,9%. À primeira vista, podemos falar de estabilidade. Mas, na prática, é mais um retrato de uma estagnação estrutural.

O país continua preso ao patamar médio de 17% do PIB em formação bruta de capital fixo, muito abaixo do que se observa em grandes economias emergentes.

Os dados mais recentes do World Economic Outlook do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, mostram que a formação bruta de capital de emergentes asiáticos como China e Índia, estão acima de 30%. Já de países latino-americanos como Chile, Peru e México, isso tende a girar entre 20% e 24% do PIB.

Essa diferença não é apenas estatística. Ela ajuda a explicar por que a atividade econômica brasileira cresce sistematicamente entre 2% e 3% ao ano, mas encontra enorme dificuldade para romper esse teto.

Juros altos explicam curto prazo, mas não problema estrutural

A desaceleração do investimento no segundo semestre de 2025 não é uma surpresa. A Selic em nível restritivo naturalmente reduz o apetite por expansão de capacidade, modernização e novos projetos.

Zeina Latif, economista e sócia-diretora da Gibraltar Consulting, confirma que o enfraquecimento recente é o impacto direto da política monetária.

“A desaceleração do investimento era esperada por causa da Selic. É uma variável mais sensível ao ciclo econômico. O efeito da política monetária bateu com mais força no segundo semestre.”

Ela também destaca fatores conjunturais adicionais, como inadimplência elevada e incertezas eleitorais, que ampliam a cautela empresarial. Porém, o problema vai além do ciclo.

“Temos uma taxa de investimento aquém na comparação com países vizinhos e a grande questão é a insegurança jurídica, que é um risco que você não consegue remunerar”, diz.

A grande pergunta que fica é: como solucionar?

“Não existe uma PEC que resolva isso. É preciso revisão de marcos jurídicos, da atuação das agências reguladoras e diálogo com órgãos de Estado”, explica Zeina.

Ou seja, estamos falando de um entrave institucional. Por isso, há anos este é o principal gargalo da economia brasileira, como explica Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

“É o grande entrave do Brasil. Precisaria atrair muito mais investimentos. Com juros em 15%, naturalmente há estagnação e muitas empresas postergaram projetos”, diz o especialista que também menciona o problema da insegurança jurídica.

“O investidor estrangeiro vê no Brasil baixa segurança jurídica, regras complexas e impostos altos.”

Esse diagnóstico ajuda a explicar por que, mesmo em ciclos de juros mais baixos no passado, o país não conseguiu romper a barreira dos 20% do PIB em investimento de forma sustentada.

Investimento é o que amplia a capacidade produtiva de qualquer economia. Sem ele, não há ganho consistente de produtividade. E sem produtividade, o crescimento depende basicamente de consumo e ciclos externos favoráveis, como ocorreu recentemente com o agro e o petróleo.

O fato é que o Brasil opera abaixo do nível necessário para acelerar sua expansão de forma estrutural. Enquanto isso, o país mantém o chamado “voo de galinha” quando o assunto é atividade econômica.



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