As chuvas intensas que atingem Minas Gerais já causaram 68 mortes, principalmente em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata Mineira. Equipes de resgate entraram no quarto dia de buscas por desaparecidos nesta sexta-feira (27), enquanto moradores relatam momentos de terror durante os deslizamentos que devastaram várias comunidades.

Tarcílio Domingos, um dos sobreviventes em Juiz de Fora, relatou momentos de pânico ao ficar soterrado após um deslizamento de terra. “Cheguei a ficar soterrado por uns 40 minutos, uma hora. Para sair da lama, porque era muita lama. Já não via as quatro casas lá do vizinho, as casas sumiram”, contou o morador à CNN.

“Eu escutei um estalo lá em cima do morro e uma avalanche descendo. Aí eu saí correndo, mas não deu tempo não, quando eu cheguei na porta, eu já dei de cara com ela descendo”, relatou Tarcílio, que conseguiu um emprego após relatar sua situação nas redes sociais. Ele foi contratado e já começou a trabalhar.

Em Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, 58 óbitos já foram confirmados, com três pessoas ainda desaparecidas. Em Ubá, o número de mortes chegou a seis, com outros dois desaparecidos. A tragédia mobilizou uma grande operação de resgate, com bombeiros atuando em diversas frentes para localizar as vítimas.

Apoio às vítimas em meio ao luto

A solidariedade tem sido fundamental para amenizar o sofrimento das vítimas. Em Juiz de Fora, 15 escolas municipais foram transformadas em abrigos para as famílias desalojadas. Na Escola Municipal Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim, 62 pessoas estão abrigadas, entre elas nove adolescentes e 12 crianças. O local recebeu doações de água, colchões, kits de limpeza, roupas de cama e medicamentos.

Márcia do Nascimento, professora há 28 anos em uma das escolas que agora serve como abrigo, enfrenta o luto pela perda de dois alunos enquanto ajuda as famílias desabrigadas. “No primeiro dia foi bem difícil voltar para a escola e abrir a sala. Mas aí eu pensei, o que eu pude fazer enquanto eles estavam aqui, eu fiz. Agora, é ajudar aqueles que estão aqui ainda com a gente”, compartilhou emocionada em entrevista ao vivo para o Live CNN desta sexta.

A professora destacou que a escola é muito querida na comunidade, o que facilita o recebimento de doações. “Nossa escola é bem vista, bem amada aqui na região, então, assim, precisou, as pessoas mandam, chegam até a perguntar o que a gente está precisando no dia”, explicou Márcia. Além do acolhimento físico, as vítimas também recebem apoio psicológico e atendimento médico voluntário.

A situação permanece crítica, pois as chuvas continuam caindo na região. Moradores relatam que na noite de quinta-feira (26) houve precipitações intensas em Bom Jardim, aumentando o temor de novos deslizamentos. O cenário no bairro é de devastação, com ruas cobertas de lama, casas soterradas e vias interditadas. Muitas famílias foram orientadas a deixar suas residências por questões de segurança, já que suas casas estão em áreas consideradas de risco.



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