Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aumentou a pressão contra a BBC, enviando uma carta legal ameaçando a organização de notícias devido à edição enganosa de um documentário que foi exibido antes da eleição presidencial no país. Ele exige pelo menos US$ 1 bilhão em indenização.

A agência de notícias Reuters afirmou que os advogados do presidente pontuaram que a BBC deve retirar seu documentário até 14 de novembro ou enfrentar um processo.

Um porta-voz da BBC disse à CNN que analisará a carta e responderá “diretamente em tempo oportuno”.

Trump já enviou diversas “cartas legais” a outras organizações de notícias, incluindo a CNN, durante seu segundo mandato.

Essas ameaças do presidente geralmente não resultam em nada, mas ele tem processos pendentes contra o Wall Street Journal, o New York Times e o Des Moines Register.

Demissões e desculpas na BBC

No início desta segunda-feira (10), o presidente da BBC, Samir Shah, emitiu um pedido de desculpas pelo “erro de julgamento” em relação ao documentário de outubro de 2024.

O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a chefe de notícias da empresa, Deborah Turness, apresentaram suas renúncias no domingo (9), enquanto as notícias sobre o escândalo da edição tomavam conta da mídia britânica.

Não há indícios de que a edição enganosa tenha sido motivada politicamente. Também não há é possível afirmar que Davie e Turness soubessem dessa edição com antecedência.

De toda forma, um advogado de Trump afirmou nesta segunda que a BBC difamou o presidente “ao editar intencionalmente e de forma enganosa seu documentário, a fim de tentar interferir na eleição presidencial”.

A carta, obtida pela CNN, acusa alega que Trump sofreu “danos financeiros e de reputação imensuráveis”.

Entenda o escândalo da BBC

Na semana passada, o Telegraph publicou uma matéria sobre um relatório interno da BBC que revelava a edição inadequada, e a história ganhou grandes proporções desde então.

O documentário, que foi exibido uma semana antes da eleição nos EUA, editou trechos do discurso de Trump em 6 de janeiro de 2021 para dar a impressão de que ele havia dito à multidão que caminharia com eles até o Capitólio e “lutaria com todas as suas forças”.

O tom de Trump era certamente combativo naquele dia, mas, no discurso original, a fala sobre “lutar” era distinta de sua declaração de caminhar até o Capitólio para “apoiar nossos bravos senadores e congressistas”.

Em uma carta de arrependimento ao chefe de uma comissão parlamentar nesta segunda-feira, Shah afirmou que a BBC reconheceu que “a forma como o discurso foi editado deu a impressão de um apelo direto à violência”.



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