A Polícia Federal prendeu quatro turistas da República Tcheca que transportavam mais de 100 cactos ilegais no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, nesta quinta-feira (26).
O grupo foi interceptado pelos agentes ao chegarem de um voo de Montevidéu, no Uruguai, por volta das 14h desta quinta. A CNN Brasil apurou que o quarteto tem um histórico recente de travessias realizadas pela fronteira entre Brasil e Uruguai.
Durante fiscalização no terminal, os agentes encontraram mais de uma centena de cactos e cerca de duas mil sementes retiradas ilegalmente do Rio Grande do Sul. O material estava escondido em malas, dentro de latas de cervejas brasileiras, nos sapatos de um dos turistas e distribuído em diversos sacos de papel. Apenas com um dos homens, foram encontrados 198 pacotes com sementes.
Veja o momento em que os tchecos são fiscalizados:
Após a chegada ao Brasil, ao menos um dos presos tinha uma passagem aérea marcada ainda nesta quinta-feira para Barcelona, na Espanha, com destino final a Viena, na Áustria.
A Lei nº 13.123/2015 prevê que a remessa para o exterior de amostras de patrimônio genético depende de autorização prévia, sendo que, no caso, os tchecos não portavam qualquer documento autorizando a exportação dos cactos e sementes apreendidos.
Também foi apreendida uma pasta com uma espécie de roteiro, com falas em português e em espanhol, para que os homens se comunicassem tanto no Brasil quanto no Uruguai. Veja:


Os estrangeiros foram autuados pelo crime de contrabando, agravado pela utilização de transporte aéreo e pela violação da Lei de Crimes Ambientais, que proíbe a retirada e o transporte de espécies da flora nativa sem autorização.
O material apreendido será submetido à análise técnica e os presos passarão por audiência de custódia nesta sexta-feira (27). A Polícia Federal investiga o motivo por trás do transporte ilegal da grande quantidade de cactos e sementes.
A operação contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de órgãos internacionais, como o Grupo de Resposta e Inteligência Aduaneira (GRIA), com a finalidade de fortalecer a cooperação entre países signatários da Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção) no combate ao tráfico internacional de espécies nativas.