O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou na última hora a sua participação em um evento organizado pelo próprio governo brasileiro na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, que está acontecendo em Nova Deli, na Índia.
Lula faria o principal discurso do evento e frustrou a audiência que praticamente lotou o auditório. Havia mais gente esperando a fala do presidente do que no evento anterior, no mesmo espaço, que contou com participação de António Guterres, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas); e de Brad Smith, o vice-chairman e presidente da Microsoft, uma das grandes empresas de tecnologia e estrela da cúpula.
Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, Lula cancelou a participação porque houve atraso em uma entrevista que ele concedeu à Índia Today, uma TV indiana. Com o atraso, ele não teria tido tempo de se deslocar até o local da cúpula.
Na ausência de Lula, o evento contou com a participação de seis ministros brasileiros: Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Esther Dweck (Gestão), Camilo Santana (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde).
Cada um deles elencou os projetos e realizações de suas pastas na área de IA e tecnologia, quase como se estivessem prestando contas para um público no Brasil e não participando de um grande congresso internacional que poderia, entre outras coisas, atrair mais investimentos em tecnologia para o país.
Ao final do evento, não foi dada nenhuma satisfação sobre a ausência do presidente no evento.
A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial é um dos principais fóruns internacionais dedicados a discussões sobre a governança, segurança e aplicação prática da inteligência artificial no mundo.
Ao contrário de eventos técnicos ou industriais, a Cúpula de Impacto da IA tem um forte caráter político, com muitas discussões sobre a necessidade de uma forte regulação global das ferramentas digitais.
Na quinta-feira (19), por exemplo, Lula criticou duramente as grandes empresas globais de tecnologia, as chamadas big techs, e foi um dos líderes que mais claramente defendeu que elas se submetam a regras.
“Dados estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios. Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, disse ele durante discurso na plenária de abertura do evento.
Lula defendeu que as big techs sejam reguladas de forma global para “salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países”.