O presidente eleito do Chile, o direitista José Antonio Kast, quer conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a mexicana Claudia Sheinbaum sobre o apoio de ambos os países à candidatura de Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Kast até o momento não manifestou apoio à candidatura da ex-presidente chilena apresentada conjuntamente por Chile, Brasil e México no começo de fevereiro.
Nesta semana, no entanto, ele afirmou que espera a presença de Lula e Sheinbaum na sua posse como novo presidente, em 11 de março, para que falem sobre por que ambos apresentaram junto com o governo de Gabriel Boric a candidatura de Bachelet para chefiar a ONU.
“Seria muito bom a gente poder se encontrar, discutir, debater, que eles possam expor por que aderiram a essa proposta de levar a ex-presidenta Bachelet como candidata para a ONU”, disse Kast na última quinta-feira (19).
Questionado sobre a possibilidade de apoiar a candidatura da ex-presidente, o direitista disse que “faltou um diálog prévio” no Chile sobre a decisão.
“Chamou minha atenção que um anúncio tão importante como este seja feito sem terem conversado com as forças políticas que teriam que exercer o mandato seguinte ao de Gabriel Boric”, expressou.
Além de se referir à sua posse no Chile, ele aludiu às eleições brasileiras deste ano.
“Aqui tem três países que manifestaram uma intenção, mas dos três países, um terá uma mudança de governo e outro entra em um processo eleitoral. Portanto, gostaria de entender detalhadamente os antecedentes que tiveram em consideração tanto a presidenta do México quanto o presidente do Brasil”, disse.
Ele também afirmou, em referência ao Brasil e ao México, ser “uma surpresa que o anúncio seja feito com a assinatura de dois países”. E disse ter uma boa disposição de diálogo para analisar o melhor para a atuação da ONU.
“Queria entender se houve algum diálogo com outros países que também têm pretensões de apresentar candidaturas. Se na América Latina apresentarem três ou quatro candidaturas, é muito difícil que uma tenha sucesso”, concluiu.
O presidente eleito do Chile também mencionou a possibilidade de vetos no sistema de votação para secretário-geral.
Antes mesmo da apresentação conjunta da candidatura de Bachelet, o governo de Javier Milei, próximo a Kast, tinha apresentado seu próprio candidato: Rafael Grossi, diplomata argentino que atua como diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) da ONU.
A Costa Rica também declarou publicamente que a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, seria candidata ao cargo.
Antes de anunciar o apoio à candidatura de Bachelet, o presidente Lula manifestou em mais de uma ocasião o desejo de que a próxima secretária-geral da ONU fosse uma mulher latino-americana.