O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou neste domingo (22) que nenhum dos países que haviam firmado acordos comerciais com os EUA indicou planos de se retirar após a decisão da Suprema Corte na sexta-feira (20), que derrubou grande parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.

Greer disse ao programa “Face the Nation”, da CBS News, que já havia conversado com o homólogo da União Europeia e que conversaria com autoridades de outros países.

“Ainda não ouvi ninguém me dizer que o acordo está cancelado”, declarou Greer à imprensa sobre a decisão da Suprema Corte. “Eles querem ver como isso se desenrola”.

Na sexta-feira (20), Trump impôs uma tarifa temporária de 10% após a Suprema Corte derrubar as tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). No sábado (21), ele elevou essa taxa para 15% — o máximo permitido por lei.

Greer disse à CBS que a decisão do presidente de aumentar a tarifa temporária em menos de 24 horas refletia a “urgência da situação” e a necessidade de reduzir o que ele chamou de “enormes desequilíbrios comerciais” com outros países.

Em entrevista ao programa “This Week” da ABC News, Greer afirmou que o governo Trump reformularia a política comercial utilizando outras ferramentas legais, incluindo a Seção 301 da Lei de Práticas Comerciais Desleais e a Seção 232, ambas resistentes a contestação judicial.

Ele acrescentou à ABC que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) já tinha investigações em andamento sobre o Brasil e a China, e esperava iniciar investigações em áreas com excesso de capacidade industrial, que abrangeria muitos países da Ásia, e práticas comerciais desleais em relação ao arroz, que é fortemente subsidiado por alguns países.

Greer destacou que não espera que a decisão e a subsequente mudança nas tarifas afetem o encontro planejado entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, no final de março.

“O objetivo deste encontro com o presidente Xi Jinping não é discutir comércio. É manter a estabilidade, garantir que os chineses estejam cumprindo a parte do acordo e comprando produtos agrícolas americanos, Boeings e outras coisas”, apontou Greer. “Não vejo isso afetando esse encontro”, concluiu.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, em uma entrevista separada ao programa “State of the Union” da CNN, comentou que a questão dos reembolsos de tarifas seria tratada pelos tribunais inferiores.

“Vamos acompanhar a decisão deles, mas pode levar semanas ou meses até que tenhamos uma resposta”, sinalizou.



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