Dois, dos quatro homens acusados pelo crime de estupro contra uma menina de 17 anos em Copacabana, no dia 31 de janeiro, foram presos, nesta terça-feira (3). A polícia prendeu em uma ação Mattheus Zoel Martins, de 19 anos; e João Gabriel Xavier Berthô, de 19 anos, se entregou no fim da manhã, em uma delegacia do Rio de Janeiro.

O delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso, informou que espera que ainda hoje os outros acusados se entreguem. Segundo ele, o advogado de Matheus disse que “as defesas dos acusados têm conversado entre si, e que eles pretendem, nas próximas horas, apresentar todos os demais acusados por esse crime”.

Além dos 4 jovens, um adolescente, de 17 anos, também foi indiciado pelo crime de estupro. Mas, por ser menor de idade, terá a identidade preservada e responderá ao crime com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

O grupo foi indiciado pela distrital, que representou pela prisão preventiva dos quatro adultos e pela apreensão de um adolescente.

De acordo com a polícia, o crime “foi uma emboscada planejada”. Conforme a investigação, a vítima foi atraída por meio de uma relação amorosa que ela mantinha com um dos envolvidos — o menor —, para que ela mantivesse relações sexuais com ele e seus amigos.

Antes do crime

Momentos antes do crime, a jovem recebeu mensagens de seu ex-namorado convidando-a para ir ao seu apartamento. A partir da relação de confiança, ela teria aceitado ir ao imóvel, localizado na rua Ministro Viveiros de Castro.

Em uma das conversas, ele enviou um emoji de urgência, fez ligações e solicitou para ela levar uma amiga. Diante da resposta negativa, ele demonstrou que não haveria problema em ela comparecer sozinha.

As mensagens também registram a combinação para o encontro na portaria do prédio e os horários em que a adolescente avisou que estava chegando.

Segundo a jovem, ela e o menor já teriam tido um relacionamento entre os anos de 2023 e 2024, mas não se viam desde então. Ao chegar no local, o menor desceu até a rua para buscá-la e os dois subiram pelo elevador juntos.

No momento em que eles iam entrar no apartamento, o suspeito disse estar junto de outros dois amigos e afirmou que eles iriam fazer “algo diferente”, o que a jovem disse ter recusado prontamente.

Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada dos jovens ao apartamento, a entrada da adolescente acompanhada do menor e, posteriormente, a saída dela do imóvel.

Momento do crime

Segundo o inquérito policial, ao chegar no local, a vítima iniciou uma relação sexual consentida com o menor de idade. No entanto, o quarto em que eles estavam foi invadido pelos outros jovens, que solicitaram para participar do ato.

Mesmo com a negativa da vítima, houve insistência e pressão para ela ceder. A situação se agravou e evoluiu para agressões físicas e atos sexuais forçados por parte de todos os presentes.

A menina chegou a dizer que os jovens a impediram de sair do quarto para poder continuar com os abusos. Um deles chegou a confrontá-la perguntando se a mãe a via nua, já que ela estava “machucada e sangrando”.

Posterior ao crime

As gravações da câmera de segurança do prédio também mostram a saída dos investigados em horários próximos ao crime. Conforme relatório policial, após acompanhar a vítima até a saída do edifício, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de “comemoração”.

Ao sair da residência, a adolescente telefonou abalada para o irmão e disse achar que teria sido estuprada. Os familiares da vítima a levaram para a delegacia, onde um boletim de ocorrência foi registrado.

Laudo pericial confirmou as agressões

Um exame de corpo de delito confirmou que havia hemorragia, sangue e escoriações na parte íntima da menor. Além de machucados nas costas e nos glúteos, compatíveis com o relato dela em relação aos socos e tapas que sofreu. Também foi constatada a presença de sêmen.

A vítima reconheceu formalmente os agressores por meio das imagens da câmera.

O inquérito foi concluído e a autoridade policial reconheceu que havia indícios suficientes de estupro coletivo. A Polícia Civil repassou o inquérito ao Ministério Público e solicitou a prisão dos envolvidos.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de João Gabriel Bertho negou com veemência a ocorrência de estupro e emboscada. Afirmou ainda que ele não tem nenhum histórico de violência e jamais estudou no Pedro II.

“A jovem sabia que havia outros rapazes na casa em que ela encontraria o ex-namorado e consentiu que João e os outros entrassem no quarto para assistir ao encontro íntimo entre ela e o ex-namorado. João Gabriel é atleta profissional e, até o momento, não teve oportunidade de ser ouvido para se defender”, completa a nota.

A defesa dos outros citados ainda não foi localizada. O espaço segue aberto.



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