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Os aliados xiitas do Irã no Líbano e no Iraque entraram na guerra na região, desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel contra Teerã. Mas os rebeldes Houthis do Iêmen, fortemente armados e capazes de atingir vizinhos do Golfo e causar grandes interrupções na navegação marítima ao redor da Península Arábica, ainda não entraram no conflito.

Entenda por que isso acontece.

Quem são os Houthis?

Os Houthis são um movimento militar, político e religioso liderado pela família Houthi e baseado no norte do Iêmen. Eles seguem a seita Zaydi do Islã xiita.

Os Houthis têm um histórico de guerras de guerrilha contra o exército iemenita, mas expandiram seu poder e construíram laços mais estreitos com o Irã após os protestos da Primavera Árabe de 2011.

Aproveitando a instabilidade no país, o grupo capturou a capital iemenita, Sanaa, em 2014.

No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão de estados árabes em uma intervenção militar para tentar desalojar o grupo.

Os Houthis demonstraram capacidades significativas com mísseis e drones, atacando instalações petrolíferas e infraestrutura vital na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.

Após anos de combate que levaram a uma das piores crises humanitárias do mundo, a ONU mediou um cessar-fogo em 2022 entre os lados em guerra no Iêmen, que vem sendo respeitado desde então.

Ataques no Mar Vermelho

Após o ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, liderado pelo grupo militante palestino Hamas, que desencadeou uma devastadora campanha militar israelense em Gaza, os houthis começaram a atacar navios internacionais no Mar Vermelho, afirmando que o faziam em apoio aos palestinos.

Eles também dispararam drones e mísseis contra Israel, que respondeu com ataques aéreos a alvos houthis. Os EUA também lançaram ataques contra os houthis.

Os houthis cessaram seus ataques após um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas em outubro de 2025.

Por que eles não entraram na guerra?

Em 5 de março, o líder Houthi Abdul Malik Al-Houthi afirmou que seu grupo estava pronto para atacar a qualquer momento.

“Em relação à escalada militar e ação, nossos dedos estão no gatilho a qualquer momento, caso os acontecimentos justifiquem”, disse ele em um discurso televisionado.

Mas, ao contrário do Hezbollah no Líbano e dos grupos armados iraquianos, eles não fizeram nenhum anúncio formal de participação na guerra.

A doutrina religiosa Houthi não segue o líder supremo do Irã da mesma forma que o Hezbollah e os grupos iraquianos.

Embora o Irã defenda os Houthis como parte de seu Eixo da Resistência regional, especialistas em Iêmen dizem que o movimento é motivado principalmente por uma agenda doméstica, embora compartilhe afinidade política com o Irã e o Hezbollah.

Os EUA afirmam que o Irã armou, financiou e treinou os Houthis com a ajuda do Hezbollah.

Os Houthis negam ser um proxy iraniano e afirmam que desenvolvem suas próprias armas.

O que eles poderiam fazer?

Observadores estão divididos quanto ao curso de ação que os Houthis, um grupo notoriamente imprevisível, podem adotar.

Alguns diplomatas e analistas acreditam que eles podem já ter realizado ataques isolados contra alvos em países vizinhos. A Reuters não conseguiu comprovar essas alegações.

Outros afirmam que os Houthis estão guardando suas forças para um momento oportuno de entrar no conflito, em coordenação com o Irã, a fim de exercer pressão máxima.

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz às exportações de hidrocarbonetos dos países árabes do Golfo e uma mudança para forte dependência do Mar Vermelho poderiam fornecer tal oportunidade.

Por fim, diante da crescente pressão econômica interna e da probabilidade de ataques intensos dos EUA, Israel e até da Arábia Saudita caso se juntem à guerra, alguns analistas dizem que os Houthis podem decidir permanecer de fora do conflito.



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