Uma parte do STF (Supremo Tribunal Federal) tem externado preocupação com uma eventual piora do quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro e a defender que ele seja encaminhado para prisão domiciliar.
A avaliação é de que, se ele piorar ou o quadro de saúde se tornar irreversível, a situação política do STF se agravaria, com um fortalecimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de candidaturas anti-STF pelo país, ampliando a chance de uma maioria bolsonarista no Senado a partir de 2027 capaz de levar adiante um processo de impeachment contra ministros.
O próprio ministro Alexandre de Moraes já teria, segundo relatos, sido alertado desse cenário. Procurado pela CNN na segunda-feira (17), ele não se manifestou.
O receio é de que um agravamento da saúde do ex-presidente amplie os questionamentos contra a Corte, que vive a maior crise de imagem e credibilidade de sua história devido ao envolvimento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o caso Master.
A leitura é que, embora a Papuda seja considerada uma prisão digna e com o atendimento médico necessário, o quadro clínico de Bolsonaro pode levá-lo a óbito tanto lá quanto em sua residência — e que seria melhor não correr o risco de um desfecho assim.
A defesa prepara um novo pedido de prisão domiciliar para esta semana. Todos os anteriores foram negados. Mas, até agora, o ex-presidente não havia corrido um risco maior como o desta vez, com a broncopneumonia.