Três acusados pela morte da cantora gospel Sara Mariano foram condenados a penas que chegam a 34 anos de prisão após julgamento realizado entre esta terça (24) e quarta-feira (25), no Tribunal do Júri de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador.

O viúvo da vítima, Ederlan Santos Mariano, apontado como mentor do crime, recebeu a pena de 34 anos e 5 meses de prisão. Victor Gabriel Oliveira Neves foi condenado a 33 anos e 2 meses, e Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como “Zadoque”, a 28 anos e 6 meses. Todos cumprirão pena em regime fechado.

De acordo com a sentença do Tribunal de Justiça da Bahia, os crimes foram praticados em concurso material, o que levou à soma das penas. No caso de Weslen, houve redução em razão da confissão apresentada durante o julgamento.

Os jurados reconheceram que os réus cometeram feminicídio qualificado por motivo torpe, mediante pagamento ou promessa de recompensa, com uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa, conforme informações do Ministério Público da Bahia.

Segundo a denúncia, Sara Mariano foi atraída sob o falso pretexto de participar de um evento religioso. A investigação aponta que ela foi morta com 22 golpes de faca e teve o corpo ocultado e queimado, em uma tentativa de dificultar a elucidação do crime.

Ainda conforme o MP, os acusados agiram de forma organizada, com divisão de tarefas, motivados por interesses financeiros e questões relacionadas à carreira artística de um dos envolvidos.

Durante o julgamento, a promotora de Justiça Mirella Brito afirmou que o Ministério Público buscou responsabilizar os envolvidos diante da gravidade do crime. “Diante do irreversível, fizemos o que podíamos, clamamos por justiça, e a sociedade de Dias d’Ávila deu esse retorno”, declarou.

Ela também destacou o caráter simbólico da condenação. “Hoje, além de justiça para Sara Freitas, acredito que restou muito claro a indicação de que mulher não é objeto, de que o crime de feminicídio é algo muito grave e que existirá repercussão para toda e qualquer pessoa que atuar contra a vida e dignidade de nós, mulheres, cidadãs e sujeitas de direito baianas”, disse.

O caso já havia resultado na condenação de um quarto denunciado. Em abril deste ano, o Tribunal do Júri sentenciou Gideão Duarte de Lima a mais de 20 anos de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa. Segundo a acusação, ele foi responsável por atrair a vítima até o local da emboscada.

A CNN Brasil procurou a defesa dos condenados e aguarda retorno.



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