A perícia realizada no celular da policial militar Gisele Alves Santana foi concluída nesta quarta-feira (25) e identificou mensagens em que a agente questiona o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sobre uma suposta traição. 

“Quero me separar. Vou ser ex, não corna”, escreveu Gisele em uma das mensagens enviadas. 

Segundo a perícia, registros digitais, como interações, uso de aplicativos e histórico do dispositivo, ajudam a traçar um padrão de comportamento anterior ao crime. As mensagens indicam uma escalada de discussões nos dias que antecederam a morte da soldado. 

“Você sabe que a informação sobre a traição tomou uma proporção grande, todo mundo falou. O que me doeu foi você não ter me contado o que estava fazendo. Quando te perguntei, você mentiu”, escreveu Gisele, ao se queixar de uma possível traição do marido. 

A extração de dados também recuperou uma mensagem em que Gisele afirma que não conseguiria superar a traição e que a separação seria o caminho, já que não confiava mais no companheiro. 

A análise do celular ainda identificou indícios de uma possível “limpeza digital” no aparelho logo após o disparo que matou a policial. 

De acordo com o laudo anexado ao processo, ao qual a CNN teve acesso, os dados mostram que o telefone foi acessado quando a vítima ainda estava viva e aguardava socorro. 

A perícia aponta manipulação de informações no aparelho, com registros compatíveis com exclusão de conteúdos. Para a polícia, esse comportamento levanta a hipótese de tentativa de controle da narrativa por meio da alteração de provas digitais. 

As mensagens apagadas foram trocadas entre o casal ao longo do dia anterior ao crime. Segundo a polícia, Gisele afirmava que queria se separar, o que contraria a versão do tenente-coronel, que alegava ser ele quem pedia o divórcio. 

Esse ponto dialoga com uma das principais suspeitas do inquérito, a de que o celular da vítima pode ter sido utilizado para sustentar a versão inicial apresentada pelo marido, que afirmou se tratar de suicídio. 

A análise também sugere que o aparelho não era apenas um meio de comunicação, mas um possível instrumento de monitoramento indireto da vítima. 

Em diversas mensagens, Gisele relatava que o marido monitorava suas redes sociais e que teria apagado perfis masculinos de suas contas. 

Ela também menciona, em conversa, que o companheiro queria que ela pedisse baixa da corporação, informação confirmada por uma amiga da vítima em depoimento. 

Para investigadores ouvidos no caso, a eventual manipulação de dados digitais pode configurar tentativa de fraude processual e reforçar a tese de feminicídio, ao indicar não apenas a violência física, mas também uma possível ação posterior para encobrir o crime. 

A CNN Brasil entrou em contato com a defesa do tenente-coronel, que informou que Geraldo se manifestará apenas nos autos. 

 

*Sob supervisão de Thiago Félix



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