O governo federal apresentou na quarta-feira (15) o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, com previsão de salário mínimo de R$ 1.717. O valor representa mais que o dobro do que era pago há 10 anos, quando o montante era de R$ 880 em 2016. A análise é de Débora Oliveira, ao Live CNN.
Em determinados períodos entre 2022 e 2023, o salário mínimo não teve aumento real, apenas acompanhando a inflação. “O aumento real do salário mínimo significa que você acompanha a inflação, mais um pouquinho para poder você ter realmente, descontando a inflação, um poder de compra, ganhar um poder de compra realmente”, explicou a analista.
Mesmo com esse período de reajuste apenas pela inflação, o salário mínimo teve um aumento significativo na última década. Débora destacou que a atual gestão retomou a política de conceder aumentos reais ao salário mínimo, ou seja, acima da inflação. “Isso tem sido uma bandeira muito levantada desde o início e eles têm mantido isso, de dar um aumento real para o salário mínimo”, afirmou.
Impactos nas contas públicas
Apesar do aspecto positivo para os trabalhadores, a analista alertou para os impactos nas contas públicas, já que o salário mínimo é usado como base para diversos benefícios previdenciários. “Se a gente está falando de um aumento como esse e da maneira como a gente continua com o orçamento e com os gastos que a gente tem, aí isso vira uma bomba relógio”, alertou.
Segundo Débora, aposentadorias, benefícios do INSS e outros gastos são atrelados ao salário mínimo, o que pressiona o orçamento federal. “Para que isso seja realmente benéfico para a nossa economia, porque isso traz uma pressão inflacionária, isso traz um aumento do poder de compra, mas, por outro lado, também traz esse aumento nas contas do governo”, complementou.
É importante ressaltar que o valor proposto para 2027 ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional e poderá ser alterado pelo próximo presidente da República, seja a atual gestão ou outra que venha a assumir o poder.