O então procurador-geral do Distrito Federal, Márcio Wanderley, assinou um parecer, no início da semana, em que pontuava problemas jurídicos que o governo do DF iria enfrentar caso seguisse adiante com um pedido de empréstimo de R$ 6,6 junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), destinado ao BRB.
No documento, ao qual a CNN teve acesso, a procuradoria afirma que o crédito ao GDF poderia infringir artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal e critica a tentativa de misturar o patrimônio do governo do DF com o do Banco de Brasília.
Poucos dias após a divulgação do parecer, Wanderley pediu demissão. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do DF na quinta-feira (16).
Segundo fontes, o procurador deixou o cargo após o parecer ser mal recebido pela atual governadora, Celina Leão (PP).
O empréstimo
Há cerca de um mês, o GDF enviou um pedido de empréstimo ao FGC de cerca de R$ 4 bilhões. Nesta semana, o governo aumentou o valor para R$ 6,6 bilhões.
Depois do pedido de suplementação, o fundo pediu novos documentos ao GDF. O parecer era justamente para isso, porque cabe a PGR-DF a avaliação da viabilidade econômica e jurídica do empréstimo.
O agora ex-procurador-geral do DF assumiu o cargo em agosto de 2025, após quase dois anos como consultor jurídico do gabinete do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
O cargo tem duração de dois anos, podendo ser reconduzido. Pelo regimento, Wanderley poderia seguir no cargo até agosto do próximo ano.
A CNN entrou em contato com o ex-procurador e com a governadora do DF, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.