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O boxeador brasileiro Esquiva Falcão anunciou que vendeu a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. A decisão foi divulgada pelo próprio atleta em suas redes sociais, em um vídeo publicado no Instagram.

“Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador”, afirmou.

Na campanha olímpica, Esquiva competiu na categoria peso médio (até 76 kg) e ficou com o segundo lugar após perder por apenas um ponto para o japonês Ryota Murata na final. Até a decisão, ele superou adversários como Soltan Migitinov, Zoltán Harcsa e Anthony Ogogo.

À época, o resultado representou a melhor campanha de um brasileiro no boxe olímpico, marca que só foi superada anos depois, com o ouro de Robson Conceição nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Ao explicar a decisão, Esquiva afirmou que a venda da medalha foi difícil e o levou a refletir sobre a realidade enfrentada por atletas no Brasil.

“Estou muito triste com isso. Essa decisão doeu muito, porque essa medalha carrega parte da minha alma, da minha família. Não é apenas uma medalha. Isso me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes, o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio e valorização”, disse.

O boxeador também ressaltou que a venda não apaga sua trajetória no esporte.

“Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza”, acrescentou.

Segundo Esquiva, a negociação não foi motivada por dívidas, mas pelo objetivo de investir no futuro da família e na carreira fora dos ringues. O atleta revelou que pretende abrir uma academia em um espaço próprio — atualmente, ele possui uma em local alugado.

“Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Um dos motivos foi que eu quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo”, explicou em entrevista ao ge.

O valor da venda não foi divulgado. De acordo com o atleta, os detalhes da negociação foram mantidos em sigilo, assim como a identidade do comprador.

“Negociamos o valor, mas combinamos de não divulgar. Foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia e na base da minha família”, concluiu.



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