O setor têxtil voltou a pressionar o governo pela manutenção da chamada “taxa das blusinhas”, aplicada a produtos importados vendidos por plataformas digitais. O movimento já havia ocorrido no ano passado, durante a tramitação da medida no Congresso Nacional.
Sem uma definição do Planalto sobre o futuro da taxa, representantes da indústria argumentam que a cobrança ajudou a reduzir distorções na concorrência com produtos estrangeiros, que chegam com regras mais flexíveis.
Em nota, a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) afirma que empresas brasileiras têm custos mais altos e questiona se os importados seguem as mesmas regras trabalhistas, ambientais e técnicas exigidas no país.
Nos bastidores, representantes do setor reconhecem que o tema envolve o acesso a produtos mais baratos para o consumidor, o que aumenta a sensibilidade da discussão. A avaliação é de que o debate deveria avançar atrelada à regulamentação da reforma tributária.
O movimento ganhou força após o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defender a taxação e afirmar que não há decisão do governo sobre o fim da medida.
Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já disse que a taxa é desnecessária, em meio ao potencial impacto do tema entre os eleitores.